Finanças Públicas Seguro: Se a Europa empurrar Portugal para uma saída limpa não está a ser solidária

Seguro: Se a Europa empurrar Portugal para uma saída limpa não está a ser solidária

O líder do PS recusa dialogar com o Governo sobre as reformas e o rumo futuro do país por considerar que os apelos de Pedro Passos Coelho não são genuínos. Diz que, ao empurrar o país para uma saída limpa do programa da troika, como a que o próprio Seguro tem defendido, a Europa está a demonstrar que não é solidária.
Seguro: Se a Europa empurrar Portugal para uma saída limpa não está a ser solidária
Bruno Simão/Negócios
Eva Gaspar 17 de fevereiro de 2014 às 18:33

O secretário-geral do Partido Socialista considerou esta segunda-feira, 17 de Fevereiro, que se Portugal for empurrado para uma saída limpa do programa da troika isso comprovará a falta de solidariedade da Europa.

 

“Não é a primeira vez que denuncio que a Europa, através dos seus principais líderes, tem perdido a sua principal matriz, que é a solidariedade”, afirmou António José Seguro depois de ter sido questionado pelos jornalistas sobre a alegada pressão dos países do Norte da Europa para que Portugal dispense um programa cautelar e tente uma “saída limpa” do programa da troika, como acabou por ser a opção da Irlanda.

 

O líder do PS disse que o país “tem vindo a pagar caro os seus empréstimos” ao passo que, acrescentou, a Alemanha "poupou 42 mil milhões de euros por ter juros baixos". “Não podemos ficar numa Europa em que uns ganham à custa do sofrimento dos outros”, afirmou.

 

António José Seguro tem defendido que Portugal, à semelhança da Irlanda, deve "regressar aos mercados de forma limpa" e “sem necessitar de apoio” externo através de um programa cautelar. "O que queremos sabemos muito bem: que Portugal siga o caminho da Irlanda, que Portugal regresse aos mercados de forma limpa", afirmou António José Seguro a 4 de Janeiro deste ano, depois de o Presidente da República, Cavaco Silva, ter admitido na sua mensagem de ano novo a possibilidade de um programa cautelar.

 

As taxas de juro associadas aos empréstimos da troika a Portugal são as mais baixas de que há registo, rondando os 3% para um prazo de amortização médio de 15,7 anos.

 

Falando aos jornalistas após ter visitado o SISAB (Salão Internacional do Setor da Alimentação e Bebidas), o secretário-geral do PS voltou a mostrar-se indisponível para entendimentos com os partidos do Governo sobre o pós-troika, alegando que os apelos do primeiro-ministro ao consenso com os socialistas "não colam" com os actos do Governo e são meros "acenos para a galeria" com fins mediáticos.

 

António José Seguro falava aos jornalistas após ter visitado o SISAB, horas depois de o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, no mesmo local, ter insistido na importância de o PS "oferecer garantias" sobre as trajectórias da dívida e do défice públicos, reiterando o seu apelo a um entendimento nesta matéria.

 

Confrontado com este repto do líder do Executivo, o secretário-geral do PS respondeu: "As palavras do primeiro-ministro não colam com a prática. Uma coisa são as palavras e outra coisa são os actos. E a prática do Governo contraria o discurso do primeiro-ministro", disse.




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