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Silva Peneda: FMI e CE impuseram a Portugal um programa “mal desenhado”

O presidente do Conselho Económico e Social (CES) afirmou hoje que a "responsabilidade" dos sucessivos desvios das previsões macroeconómicas de 2012 cabem ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e à Comissão Europeia (CE) que impuseram a Portugal um programa "mal desenhado".

Lusa 08 de Janeiro de 2014 às 12:02
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"A responsabilidade fundamental do programa de 2012 cabe ao FMI e à CE e à forma como foi imposto um modelo perfeitamente desadequado à realidade da economia portuguesa", afirmou Silva Peneda, no parlamento.

 

O presidente do CES está a ser ouvido esta manhã na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública sobre a Conta Geral do Estado de 2012.

 

Silva Peneda lembrou que os sucessivos desvios das previsões macroeconómicas de 2012 "mostram que as medidas impostas pela troika e entretanto concretizadas eram desadequadas à realidade da economia e da sociedade portuguesas", uma ideia já expressa pelo CES no parecer sobre a Conta Geral do Estado de 2012.

 

O presidente do CES remeteu para o parecer elaborado na altura que alertava para o facto de o caminho imposto pelos credores internacionais - FMI, CE e Banco Central Europeu (BCE) - não ser "o mais adequado para a recuperação da economia portuguesa".

 

No entender do responsável, o programa de ajustamento elaborado pela troika falhou, uma vez que "esqueceu a realidade do país".

 

"O CES foi a primeira entidade que referiu que o programa da troika foi mal desenhado e dissemos ao Governo que atacar dois objectivos da mesma forma - o desequilíbrio externo e o défice orçamental - era impossível num prazo tão curto", afirmou Silva Peneda perante os deputados.

 

Com base na aplicação do programa, em 2012 "acentuou-se a diminuição da procura interna, houve um desequilíbrio interno e por causa desta redução da procura e da recessão o défice não foi atingido", sublinhou.

 

Defendeu, por isso, numa altura em que se fala da saída da troika em maio deste ano, a elaboração de um programa de médio prazo, a dez anos, que deverá contar com o consenso de todos os quadrantes da sociedade.

 

"Os problemas da economia portuguesa continuam, apesar da saída da 'troika'. Se não houver consenso, serão os credores a impor regras. Ou temos capacidade para decidir o que queremos ou será a União Europeia a ditar as regras", disse.

 

Advogando a necessidade de "tempo, coerência entre as políticas e consenso político e social", Silva Peneda apelou aos deputados para que alcancem um consenso nesta matéria.

 

"Apelo aos senhores deputados que tenham presente o seguinte: os problemas da economia só se resolvem se houver a aplicação destes objectivos de forma consertada", concluiu o presidente do CES.

 

 

 

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