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Teodora Cardoso: Mais investimento terá de ser compensado com menos consumo

A presidente do Conselho de Finanças Públicas chama a atenção para a necessidade de fazer acompanhar mais investimento com a redução do peso do consumo para não agravar a elevada dívida externa do país, uma das mais altas do mundo.

Bruno Simão/Negócios
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 27 de Outubro de 2014 às 18:51
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Portugal precisa de investimento para sustentar um novo ciclo de crescimento económico, o que significa que terá de importar mais, designadamente bens de equipamento. Mas em face da elevada dívida externa que persiste – 234% do PIB, segundo os mais recentes dados do Banco de Portugal – é preciso que o acréscimo de investimento seja compensado por uma redução do consumo (também ele com uma forte componente de importações), de modo a não agravar o desequilíbrio externo do país. O alerta foi deixado nesta segunda-feira, 27 de Outubro, por Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, numa sessão pública de apresentação do mais recente relatório económico da OCDE sobre Portugal.

 

"Para que o investimento cresça e não agrave a dívida externa é preciso que se reduza o peso no PIB do consumo, público e privado", afirmou a presidente, ao voltar a alertar que "o consumo como ‘driver’ do crescimento não funciona".

 

"Portugal tem uma dívida externa muito elevada, de 234% do PIB. Em 2008, antes da crise, já era de 200%. Não foi a crise (financeira) que provocou a dívida externa, foi o grau de endividamento de todos os sectores [Estado, empresas, banca e famílias] sobretudo junto do exterior", afirmou a economista. Num contexto de elevado endividamento, é preciso – disse - incentivar o investimento directo estrangeiro e o acesso aos mercado de capitais como alternativas ao tradicional financiamento bancário.

 

Perante uma plateia em que figuravam, entre outros, Cristina Casalinho, presidente do IGCP, e Braga de Macedo e Silva Lopes, ambos ex-ministros das Finanças, a presidente do CPF criticou a tendência de sucessivos Governos ignorarem o que foi feito pelos anteriores, insistindo ser fundamental para o país que se implementem políticas (orçamentais, fiscais, sociais, de reforma do mercado trabalho, por exemplo) consistentes e continuadas, para que, no mínimo, se possam avaliar os resultados face aos esperados e oferecer um quadro de relativa estabilidade aos agentes económicos. "É mais importante um regime fiscal simples e estável do que o valor da taxa do imposto", ilustrou.

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