Finanças Públicas Vice-governador do BdP: “Estamos em melhores condições para termos crescimento económico sustentado”

Vice-governador do BdP: “Estamos em melhores condições para termos crescimento económico sustentado”

A austeridade valeu a pena. De acordo com o vice-governador do Banco de Portugal, Pedro Duarte Neves, o ajustamento da economia permitiu corrigir vários desequilíbrios, o que vai permitir ao País um crescimento económico sustentável.
Vice-governador do BdP: “Estamos em melhores condições para termos crescimento económico sustentado”
Bruno Simões 30 de outubro de 2013 às 18:02

“A economia portuguesa sofreu um forte ajustamento”, “corrigiram-se desequilíbrios importantes e estamos em melhores condições para termos um crescimento económico sustentado”, descreveu esta tarde o vice-governador do Banco de Portugal, Pedro Duarte Neves. O responsável deixou um repto: uma vez que Portugal não dispõe de política cambial, tem de “apostar na capacidade empresarial para crescer nos mercados externos”.

 

O vice-governador fez esta tarde uma descrição pormenorizada da evolução da economia portuguesa, numa conferência do Negócios dedicada à retoma da economia. “O ajustamento orçamental que teve lugar em Portugal atingiu proporções muito significativas e sem grande tipo de precedentes noutras experiências, sejam nossas sejam lá fora”, observou. “É um ajustamento de oito pontos percentuais, é um esforço extraordinariamente significativo”, admitiu.

 

Mas esse ajustamento permitiu corrigir vários erros. Desde logo através da “rápida correcção dos desequilíbrios externos. A nossa economia passou de uma situação de necessidade de financiamento externo para situação de capacidade líquida de financiamento em relação ao exterior”, recordou. Isso aconteceu de forma mais acentuada que em ocasiões anteriores e em “condições particularmente desfavoráveis”. Algo que se deve ao “grande sucesso do nosso sector exportador”. 

 

Empresas já recuperaram quotas de mercado perdidas em 2005 e 2006

 

“Houve ganhos de quotas de mercado nos últimos anos, de três, quatro pontos por ano, o que é muito significativo”, acrescentou. “As quotas que fomos perdendo até 2005 e 2006 encontram-se totalmente recuperadas. A posição [de Portugal] nos mercados externos é mais forte que em 1999”, afirmou ainda.

 

Há ainda uma outra “alteração importante na estrutura produtiva: as exportações passaram de 30% do PIB, até há três, quatro anos, para um novo patamar de 40%”, o que “é uma alteração extraordinariamente importante na economia portuguesa”.

 

Por outro lado, o mercado de trabalho é o sector mais “preocupante”, porque se verificou “um aumento muito significativo da taxa de desemprego”, o que reflecte “de uma forma preocupante o aumento de parte do desemprego estrutural, que também é reflectido pelo aumento do desemprego de longa duração”.

 

De qualquer forma, os indicadores de sentimento económico e de confiança na economia estão todos a ter uma “recuperação marcada”. “É importante constatarmos que há sinais visíveis de início de recuperação económica”, e já este trimestre “vamos ter a primeira variação homóloga positiva do PIB, algo que já não acontecia desde 2010”, enfatizou.

 

Crescimento do emprego será essencial para crescer de forma saudável

 

A propósito da receita para um crescimento sustentável a partir do próximo ano, Pedro Duarte Neves lembrou os conselhos do governador do BdP Carlos Costa. “Um crescimento sustentado devera ser baseado em crescimento de emprego e ganhos de produtividade”, afirmou.

 

E como se pode faz esta transformação? “Através da lateralização da capacidade produtiva instalada, redireccionando a produção para os mercados externos nos bens transaccionáveis”, potenciando “a prestação de serviços a não residentes” e ajustando “a oferta nos vários segmentos da procura de turismo”, além de promover um aumento “nas taxas de utilização”.

A atracção de investimento directo estrangeiro também será essencial, até por uma questão de introdução de novas culturas de gestão.




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