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Frasquilho: "Espero que a troika ganhe juízo"

O vice-presidente da bancada parlamentar do PSD voltou a defender esta quinta-feira uma maior flexibilização para o ajustamento orçamental do país, indicando que as reformas estão a ir no bom caminho, mas necessitam de mais tempo para surtir efeito.

Inês Balreira inesbalreira@negocios.pt 06 de Junho de 2013 às 16:03
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“A troika tem de perceber que o que foi desenhado inicialmente não é concebível, dada a deterioração das condições económicas europeias”, apontou Miguel Frasquilho."As correcções não podem ser feitas em dois ou três anos e isto tem de ser entendido à luz da lei europeia", sublinhou.

 

O deputado do PSD, que participava, esta quinta-feira, numa sessão do ciclo de conferências “Funções do Estado”, subordinada ao tema “Funções do Estado nas Finanças e Sustentabilidade da Administração Pública”, voltou a defender mais flexibilidade na consolidação orçamental do país. “Defendo um ajustamento mais tranquilo, que possa ser feito até ao final da década e não até 2015”, apontou.

 

Para Frasquilho, um maior prazo de ajustamento, ainda que “teoricamente” possa aumentar a dívida e do défice, permite um alívio das medidas de austeridade, o que por sua vez pode criar uma situação fiscal mais atractiva para o investimento estrangeiro. Contudo, o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD considera que tal situação só poderá ser concretizada quando “realmente” for negociado com os credores internacionais um prazo “razoável” para a consolidação.

 

“Espero que a troika ganhe juízo”, afirmou Frasquilho. “Metas mais realistas, que pudessem ser cumpridas, iriam atrair os investidores, pois teríamos o apoio do BCE”. Na visão de Miguel Frasquilho, a entidade monetária europeia não permitiria que o país entrasse em incumprimento no cenário de uma maior flexibilização das metas.

 

Porém, o deputado aponta o dedo à entidade monetária, considerando que “grande parte da crise europeia teria sido evitada se o BCE” tivesse anunciado as medidas que implementou em 2012, dois anos antes, referindo-se ao programa de compra de dívida (OMT). Tal decisão teria evitado que os investidores trocassem a União Europeia por outros locais mais atractivos.

 

Para Frasquilho, as raízes do problema do país residem na “não preparação para a globalização e para a entrada no euro”. Com a acumulação dos sucessivos défices -  externos e das contas públicas -, “mais tarde ou mais cedo tinha de vir uma troika”, considerou.

 

“Foi preciso vir uma troika para nos dizer o que era preciso fazer. Os sucessivos governos não foram capazes de fazer o trabalho de casa. Foram as regras que nos foram impostas e tivemos de cumprir. A alternativa seria o incumprimento e a eventual saída da moeda única”, afirmou, rejeitando porém tal alternativa. “Se houver um país que abandone a moeda única penso que será o fim do projecto europeu”.

Grande parte da crise europeia teria sido evitada se o BCE tivesse anunciado as medidas que implementou em 2012, dois anos antes.

 

Miguel Frasquilho

 

Porém, o deputado do PSD mostra-se optimista em relação à recuperação da economia nacional, pois considera que as políticas europeias vão ter de mudar, o que deverá beneficiar a situação portuguesa.

 

Apesar de defender mais tempo para a correcção orçamental, Frasquilho entende que “o que está a ser feito é preciso ser feito”, embora volte a sublinhar que o ajustamento tenha de “ser de forma mais gradual”. “Fosse qualquer Governo que estivesse agora no poder o caminho seria exactamente este porque a situação europeia o impõe”, declarou.

 

Durante o seu tempo de intervenção o deputado voltou a pedir ainda um alívio fiscal, considerando que “o IRS está em níveis incomportáveis” e não é exequível “por muito mais tempo”.

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