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Passos Coelho: Salários “consumidos” pelo Estado são um “problema a enfrentar” pelo Governo

Passos Coelho defende que uma parte importante dos serviços estatais não funciona porque não há dinheiro, já que este é utilizado para pagar salários. A reforma do Estado “não pode ficar reduzida à dimensão financeira”, diz o primeiro-ministro.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2013 às 19:56
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Os contribuintes pagam impostos. Impostos que deveriam ser para que os equipamentos públicos funcionassem bem. Mas o dinheiro colectado não chega porque é “grandemente consumido” pelos salários. O Estado não está a fazer o que deve. “Esse é um problema que temos de enfrentar”. A lógica e as palavras são de Pedro Passos Coelho.

 

Num discurso na Faculdade de Direito, feito ao final da tarde desta quarta-feira, 27 de Fevereiro, o primeiro-ministro falou no elevado peso que os salários têm para as contas estatais.

 

“Hoje, uma parte importante dos serviços tem dificuldade em ser devidamente executado, dado que pouco sobra para pagar a actividade operacional”, declarou Passos Coelho, depois de ter sido recebido com protestos por um grupo de jovens à porta do auditório em que discursou.

 

O tema dos salários foi mencionado nesta conferência, promovida pela Juventude Social Democrata (JSD), pelo primeiro-ministro de Portugal numa altura em que decorre a sétima avaliação ao programa de ajustamento do país, no seio da ajuda financeira externa disponibilizada pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional. É no seio desta avaliação que será comunicado em que irá o Estado cortar para concretizar a redução de 4 mil milhões de euros da despesa pública. Sendo que, no boletim de Inverno a Comissão Europeia, divulgado na sexta-feira, Bruxelas referiu a necessidade de se cortar três mil milhões de euros.


Pedro Passos Coelho afirmou, no discurso, que Portugal “é um dos Estados que pior resultado apresenta” na Europa no que diz respeito à garantia de que os recursos públicos são redistribuídos para quem mais precisa deles. “Precisamos, mesmo, de ser ambiciosos na discussão desta matéria”, declarou.

 

“A reforma do Estado não pode ficar reduzida à dimensão financeira. Foi o gatilho para a discussão mas não pode, de maneira nenhuma, ser um elemento redutor”, assegurou o governante, num discurso que ficou marcado por referências ao papel dos jovens na Europa e ao impulso que esta camada da população pode dar ao Velho Continente.

 

Sobre os jovens que se manifestavam à porta do auditório onde falava, Passos Coelho disse que era um “exercício legítimo”. Contudo, referiu que é necessário que, além das demonstrações de “impaciência e ansiedade”, é necessário ter a “informação necessária para preparar um futuro com pés e cabeça”.

 

Por quanto tempo se vai ter de pagar dívida “não é tema para hoje”

 

Sem que se consiga garantir uma maior despesa do Estado, não será possível, segundo Passos Coelho, baixar a carga fiscal, recuperar o investimento público e reduzir a dívida pública.

 

“O nosso problema é pensar por quanto tempo vai ser preciso pagar esta dívida”, admitiu o líder do Executivo para logo depois dizer que esse assunto não era tema para abordagem neste discurso "de hoje". Ainda assim, adiantou que esse problema vai determinar as políticas por muitos anos, acrescentou.

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