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Centeno: "Não vamos cortar despesa ou subir impostos. Mas não vamos colocar o Estado débil"

Em entrevista à Antena 1, Mário Centeno, ministro das Finanças, garante que nunca falou com António Costa Silva, o homem chamado pelo Governo para preparar o programa de recuperação da economia.

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O ministro das Finanças, Mário Centeno, garante que não vai utilizar austeridade para reagir à crise económica, mas avisa que o Governo não pode colocar o Estado "numa situação débil" e frisa que "quando o Estado faz, as consequências são para todos". Numa entrevista esta sexta-feira à Antena 1, o ministro diz que não vai baixar nem subir impostos e assegura que não estão previstos cortes nas pensões.

"Austeridade significa em períodos recessivos cortar despesa ou aumentar impostos. Não vamos fazer isso, mas não vamos colocar o Estado numa situação débil", frisa Mário Centeno. O ministro defende que "a função do Estado é estar presente", mas argumenta que "um estado debilitado não está presente e é gerador de instabilidade."

É assim que Centeno justifica o facto de a maior parte das medidas de resposta à crise para as empresas consistirem em adiamento de pagamento de obrigações fiscais ou linhas de crédito, em vez de reduções de impostos.

"Não podemos pôr em causa a capacidade do Estado de desempenhar as suas funções. Fico muito preocupado quando muitos pensam que o Estado pode desempenhar funções que nunca desempenhou, que não está desenhado para desempenhar", sublinha. E remata: "Quando o Estado faz, faz para todos, e as consequências são para todos."

Centeno diz que não estão previstas reduções de impostos no Orçamento retificativo, porque "não estamos em condições de erodir a base tributária, se não o Estado não consegue responder". Vê já alguma recuperação da crise, mas confirma um défice orçamental este ano entre os 6% e os 7%.

Sobre a TAP, reforça que o valor do auxílio máximo está a ser negociado com a Comissão Europeia, mas que não está fechado. Explica que a empresa não qualifica para o enquadramento temporário definido por Bruxelas por causa da pandemia e que se o Estado tiver de reforçar a sua posição, isso decorrerá não de uma vontade expressa, mas de uma incapacidade dos privados de acompanhar o apoio necessário.

Quanto ao próximo ano, e ao que terá de ser feito para reequilibrar as contas, Centeno diz que "não há uma expectativa de implementação de cortes" nas pensões para reagir à crise. Sobre os aumentos para função pública, atira para canto, dizendo apenas que "no contexto em que vivemos temos de ser muito rigorosos" com a utilização do dinheiro público.


Centeno: "Nunca na minha vida” falei com António Costa Silva
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Para preparar este orçamento suplementar, Mário Centeno diz que não contou com a ajuda do conselheiro António Costa Silva: “Não falei com ele nunca na minha vida”.


"Nunca falei com António Costa Silva"

"Nunca falei com António Costa Silva", disse o ministro das Finanças. Costa Silva é o homem que o Governo chamou para desenhar o plano de recuperação da economia portuguesa, que terá sempre de ter uma tradução financeira, que estaria na esfera do Ministro das Finanças.

Mas Centeno desvaloriza a questão: "Mas não estou muito preocupado com isso. O Governo tomou posse há muito pouco tempo, todos estamos muito focados, o programa de recuperação permite colmatar brechas provocadas por esta crise." E de caminho o ministro deixa um conselho: "Não tenhamos a ideia de com esta recuperação vamos criar uma economia nova, nem um mundo novo, nem um homem novo, isso não existe."

Mário Centeno manteve o tabu sobre a sua permanência ou saída do Governo a breve prazo, dizendo que não pode garantir que fará o Orçamento do Estado para 2021, "como ninguém pode garantir". Recusou qualquer dificuldade de relacionamento com os seus colegas do Executivo e diz não estar cansado de ser ministro.

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