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CGTP: Cortes são "cegos e irracionais"

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, classificou hoje como “cegos e irracionais” os cortes revelados na proposta do Governo de Orçamento de Estado para 2011.

Lusa 16 de Outubro de 2010 às 18:54
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“Em regra, são cortes cegos e de uma irracionalidade absoluta do ponto de vista social e político”, referiu à margem de uma conferência no Fundão, quando confrontado pelos jornalistas com cortes entre 10 e 12 por cento nas áreas da Saúde, Educação e Trabalho.

O líder sindical, destacou ainda que a proposta de orçamento “sustenta e impulsiona a partir do sector público” uma “redução da retribuição do trabalho que é de uma gravidade imensa”.

Para Carvalho da Silva, “um dos maiores crimes do ministro das Finanças é o apelo para que o sector privado siga o mesmo caminho do público”.

Em resumo, trata-se “do orçamento de empobrecimento generalizado da população portuguesa, da recessão, do desemprego e do abaixamento da qualidade do emprego e de fragilização da protecção social”, frisou.

Carvalho da Silva considerou também haver “muitas contradições na exposição do ministro das Finanças” feita hoje, nomeadamente sobre “as bases das receitas” e aponta insegurança quanto às previsões de crescimento económico.

“O que nós temos na projecção apresentada pelo Governo é que a quebra real do salários dos trabalhadores da administração pública e das empresas do sector empresarial do Estado se situa entre 3,2 e 13,2 por cento”, destacou.

No entanto, alertou para o facto de que “a dinâmica induzida para o sector privado é idêntica ou mais grave”.

O líder da CGTP deu como exemplo as declarações do presidente da Confederação do Turismo Português, segundo as quais, “na contratação de trabalhadores, a retribuição atribuída é 30 a 40 por cento inferior ao que era para as mesmas funções há dois anos”.

Por outro lado, apesar de o agravamento da carga fiscal ser inevitável perante a crise, o sindicalista considera “escandaloso” que esse agravamento recaia “sobre aqueles que já pagavam impostos” e que “quem não pagava, continue a não pagar”.

“Como que havendo alguém a quem é consagrado o direito se continuarem a ser privilegiados e que, quando muito, se faça apelo para numa coisa ou outra fazerem uma caridade pelo povo: isto é escandaloso”.

Carvalho da Silva vê mesmo a proposta de Orçamento de Estado para 2011 como “um exercício para o centrão que comanda o poder político e económico”.

“É um exercício para ir gerindo o processo, para não irem perdendo as suas posições, e o país para sair disto vai quer mexer nas posições dessa burguesia que se instalou e que se está a apoderar da riqueza e comandos do país”, descreveu.

A situação que o país vive é “talvez a mais delicada” desde o 25 de Abril, referiu, para concluir que “é tempo de os portugueses se mobilizarem”, deixando um apelo à greve no dia 24 de Novembro.

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