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Novas medidas do Orçamento cortam crescimento para 1,8%

As novas medidas negociadas com a Comissão Europeia reduzem mais o défice. Mas o crescimento também abranda e desemprego fica mais elevado do que o previsto inicialmente. Exportações também crescem menos.

Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 05 de Fevereiro de 2016 às 14:28
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O novo cenário macroeconómico incluído na proposta de orçamento prevê uma consolidação orçamental mais acentuada em 2016, mas em troca inclui também uma taxa de crescimento mais baixa e um desemprego um pouco mais elevado do que na versão inicial do esboço orçamental enviado a Bruxelas. O consumo também crescerá menos, em parte em reacção ao aumento da tributação indirecta sobre produtos de consumo, como produtos petrolíferos, tabaco ou veículos.

A taxa de crescimento económico prevista pelo Governo é agora de 1,8%, contra os 2,1% previstos anteriormente. Um resultado da necessidade de avançar com mais medidas de consolidação orçamental de forma a garantir uma redução mais acentuada do défice público, como determinado nas regras europeias e exigido pela Comissão Europeia.

Tal como Negócios já avançou, no final de quinta-feira o governo apontava para um défice orçamental de 2,2% do PIB em 2016 (que compara com os 2,6% anteriores e os 4,2% de 2015), e para uma redução do défice estrutural de 0,3 pontos percentuais. Para isso necessitou de acrescentar qualquer coisa como 700 milhões de euros de medidas de consolidação orçamental, entre elas agravamentos adicionais da tributação sobre tabaco, combustíveis e automóveis, aliados a impostos sobre a banca e o recuo em pelo menos uma das medidas bandeira do executivo: a redução da TSU suportada pelos trabalhadores para salários abaixo dos 600 euros.

Como consequência, a economia crescerá menos, o consumo também abrandará de um crescimento estimado de 2,6% para 2,4% (2,6% em 2015), e serão criados menos empregos em Portugal, estima agora o governo, que revê por isso em alta a previsão de taxa de desemprego de 11,2% para 11,3% (13,9% em 2015), apurou o Negócios junto de fonte governamental.

Uma outra novidade que parece ir ao encontro das críticas que foram dirigidas às previsões iniciais, e que não é claro se se relaciona com as negociações da última semana e meia, chega da frente externa. As exportações deverão agora crescer 4,3% face a 2015, menos que os 4,9% previstos inicialmente no esboço enviado a Bruxelas. Várias análises publicadas desde então, incluindo a do Conselho das Finanças Públicas, aconselhavam mais prudência nesta variável uma vez que as últimas noticias sobre vários destinos importantes (de Espanha ao Brasil ou China) apontam para que tenham um ano difícil.




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