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Putin defende amigo envolvido no caso Panama Papers

O Presidente russo considera que Roldugin, cujo nome tem sido ligado ao caso, não fez nada de mal. E defende de viva voz que os opositores estão a tentar desestabilizar a Rússia.

Vladimir Putin: É um aliado de conveniência da Europa contra o autoproclamado Estado Islâmico, mas mantém o seu apoio a Bashar al-Assad.
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 07 de Abril de 2016 às 18:09
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O presidente russo, Vladimir Putin (na foto), saiu esta quinta-feira 7 de Abril em defesa do seu amigo Sergei Roldugin, que tem vindo a ser associado ao caso dos Panama Papers. Segundo a Reuters, o líder russo, que hoje discursou perante uma plateia de apoiantes, a associação do seu amigo ao escândalo de corrupção serve para desestabilizar a Rússia.  

"Os nossos oponentes estão acima de tudo preocupados com a unidade e com a consolidação da nação russa", afirmou Vladimir Putin, acrescentando que os oponentes de Moscovo estão a tentar dividi-los de forma a "tornar-nos mais flexíveis". "Há um certo amigo do presidente da Rússia que fez isto e isto e há provavelmente um elemento de corrupção", disse, descrevendo as alegações. "Mas não há nenhum [elemento de corrupção]", afiançou.

Segundo a agência de informação, o chefe de Estado assinalou que Roldugin foi um músico brilhante e accionista minoritário de uma empresa russa, na qual ganhou algum dinheiro e não "milhares de milhões de dólares". Putin sustentou também que o músico gastou quase todo o seu dinheiro a comprar instrumentos musicais caros no estrangeiro. "Tenho orgulho de ter amigos assim", comentou o presidente russo. Sendo que actualmente o músico está a envolvido num processo para que esses instrumentos sejam entregues as instituições públicas do País. 

A divulgação no passado domingo dos chamados Panama Papers tem feito correr muita tinta. E o primeiro-ministro da Islândia, ligado ao caso, demitiu-se na sequência do caso. O chefe de Govenro britânico, David Cameron, já fez saber que nem o próprio nem a sua família beneficiam, nem vão beneficiar no futuro, de qualquer fundo "offshore", depois do nome do seu falecido pai ter sido envolvido neste caso.

Porém, na Rússia, onde os meios de comunicação públicos têm relações próximas com o Kremlin, as alegações que indiciam a ligação do amigo do presidente têm sido ou minimizadas ou retratadas como uma tentativa de minar a elite que governa o País antes das eleições para o parlamento, previstas para o final deste ano.

As palavras do Presidente russo surgem depois de o seu porta-voz ter defendido esta segunda-feira, 4 de Abril, que as notícias que dão conta do envolvimento do chefe de Estado em esquemas de evasão fiscal destinam-se simplesmente a desacreditar Putin antes das eleições no país.

"O principal alvo desta desinformação é o nosso presidente, especialmente no contexto das próximas eleições parlamentares e no contexto de uma perspectiva de longo prazo - quero dizer, das eleições presidenciais daqui a dois anos", afirmou Dmitry Peskov numa teleconferência com jornalistas, citado pela Reuters.

"Esta 'putinofobia' no exterior chegou a tal ponto que é, de facto, um tabu dizer algo de bom sobre a Rússia, ou sobre quaisquer acções ou realizações por parte da Rússia. É uma obrigação dizer coisas más, um monte de coisas más, e quando não há nada a dizer, deve inventar-se. Isto é evidente para nós", acrescentou.

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