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Transparência Internacional apela a acção concertada de combate à corrupção

A rede global anti-corrupção Transparência Internacional insta os governos a responderem de forma concertada aos esquemas de evasão fiscal, na sequência da investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

Negócios com Lusa 04 de Abril de 2016 às 13:02
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A Transparência Internacional apelou esta segunda-feira, 4 de Abril, a uma acção concertada da comunidade internacional para que sejam aprovadas leis de transparência que proíbam a constituição de empresas secretas, como aquelas que estão na base do escândalo de evasão fiscal exposto pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

 

"A investigação Panama Papers desmascara o lado negro do sistema financeiro global, onde bancos, advogados e profissionais financeiros permitem que empresas secretas escondam dinheiro corrupto de forma ilícita. Isto tem de parar. Os líderes mundiais devem unir-se e proibir as empresas secretas que alimentam a grande corrupção e permitem que os corruptos beneficiem de proveitos ilícitos", refere José Ugaz, presidente da Transparência Internacional.

 

O organismo que luta contra a corrupção pede um esforço renovado aos países do G20 para que os registos públicos dos beneficiários efectivos das empresas se tornem o padrão global, e que sejam aplicadas sanções aos países que não estejam em conformidade com esta norma.

 

"Quantas mais fugas de documentos os líderes mundiais precisam ver para entender que a falta de registos públicos é o que mantém os grandes esquemas globais de corrupção vivos?", acrescenta Ugaz, num comunicado divulgado no site do organismo.

 

Uma lista com cerca de 140 nomes de políticos e autoridades públicas envolvidas em esquemas de corrupção com "offshores" foi divulgada no domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.


A série de nomes - já designada como "Os papéis do Panamá" (The Panama Papers), refere que milhares de empresas foram criadas em "offshores" e paraísos fiscais para que políticos e personalidades administrassem o seu património.

Lista põe em causa imagem de países e segurança de cidadãos

 

O presidente da Transparência e Integridade Associação Cívica - representante em Portugal da rede global anti-corrupção Transparência Internacional – considerou, esta segunda-feira, que a divulgação de uma lista com nomes de responsáveis alegadamente envolvidos em esquemas de corrupção coloca em causa a imagem de países e segurança de cidadãos.

Em declarações à Lusa, o presidente deste organismo, Luís de Sousa, disse que a situação é "grave" e coloca em causa a imagem dos países e a segurança dos seus cidadãos.

No entender de Luís de Sousa, os países têm de investigar, estar mais atentos e, sobretudo, "têm de olhar de outra maneira para alguns escritórios de advogados".

"Não podemos continuar a achar normal ver escritórios de advogados que têm um poderio brutal dentro do país e o poder às vezes salta aos olhos de toda a agente. Têm de olhar para o número de associados, para o volume de negócios e o tipo de serviços que andam a prestar como a consultoria", disse.

Segundo o responsável, estes não são escritórios de advogados "normais".

"Por outro lado, há uns anos que estamos a assistir às consequências de situações como estas [branqueamento de capitais, empresas de fachada], das reacções de alguns grupos extremistas a estes sistemas totalistas e amorais. As importações das 'offshores' são também uma consequência de política externa dos países. Há muitos indivíduos que estão a prejudicar a imagem do país e colocam em risco alguns cidadãos", referiu.

De acordo com Luís de Sousa, aquelas práticas têm uma dimensão política.

"O moralismo do capitalismo tem cada vez mais consequências nos grupos extremistas que estão a insurgir contra a cultura do ocidente, o sistema capitalista que lhe é imposto. Isto vai danificar a imagem e a segurança os países e assim estão a colocar em risco a vida dos concidadãos", concluiu. 

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