"Penso neles a cada segundo": Pai de crianças francesas abandonadas em Portugal quebra o silêncio
O pai dos menores abandonados em Alcácer do Sal, a 19 de maio, quebrou o silêncio poucas horas após saber que a ex-companheira, Marine Rousseau, e o padrasto das crianças, Marc Ballagriga, ficaram em prisão preventiva. Emocionado, o homem, que exige anonimato, revelou o calvário que está a viver desde que foi contactado pelas autoridades francesas.
“Tenho pensado neles a cada segundo desde que a esquadra de polícia de Colmar entrou em contacto comigo”, confessou, numa declaração escrita enviada este domingo à televisão francesa Ici Alsace. O progenitor explicou que o regresso dos filhos a França é agora a sua única prioridade, estando apenas dependente de luz verde judicial. “É só uma questão de dias para eu ter os meus filhos de volta. Estou a deixar as autoridades fazerem o seu trabalho enquanto aguardo a autorização para trazê-los. Dia e noite, o telefone está ao meu lado”, relatou.
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Guerra judicial pela guarda dos filhos
As crianças, encontradas a chorar e desamparadas à beira de uma estrada na passada terça-feira, 19 de maio, estão no centro de uma batalha legal que já dura há dois anos. O pai tinha perdido a guarda dos menores, tendo apenas direito a visitas ocasionais decretadas pelo Tribunal de Família de Colmar, uma decisão da qual já tinha recorrido. Após o desaparecimento dos filhos, o homem avançou com uma queixa por "sequestro de menores" contra a mãe.
Agora, perante o desfecho dramático em solo português, o pai foca-se no futuro: “Os meus filhos precisarão de reconstruir as suas vidas, assim como eu, e não precisam de ser lembrados desta tragédia".
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Apelo à moderação e presunção de inocência
Apesar do choque provocado pelo crime, o homem surpreendeu ao pedir contenção e mostrou-se contra os insultos feitos contra a ex-companheira, que aguarda julgamento na ala de alta segurança de Tires. “Não estou a tentar defender ou minimizar os atos cometidos. Os factos continuam graves e profundamente chocantes. Mas recuso-me a acrescentar discursos de ódio, insultos ou rótulos que visem desumanizar uma pessoa”, atirou, lembrando que a mãe das crianças mantém o estatuto de presumível inocente até à sentença final.
Marine Rousseau e Marc Ballagriga estão em prisão preventiva e respondem por exposição ou abandono agravado, estando o padrasto também indiciado por agredir violentamente o menino de três anos. O casal deverá ser extraditado para França após cumprir pena em Portugal.
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