Justiça Buscas na KPMG em Portugal (act2)

Buscas na KPMG em Portugal (act2)

Segundo o jornal Expresso, estão a ser realizadas diligências policiais na KPMG, que auditava contas no BES e que, em Angola, também analisava a situação financeira do BESA. Aliás, o BESA deverá ser o tema central das buscas.
Buscas na KPMG em Portugal (act2)
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 02 de março de 2016 às 15:04

A KPMG está a ser alvo de buscas judiciais esta quarta-feira, 2 de Março. O Expresso avança que o BES Angola, auditado pela KPMG, é o tema das diligências que o jornal adianta estarem a cargo da Polícia Judiciária. 


Segundo o mesmo jornal, a operação iniciou-se na manhã desta quarta-feira, 2 de Março, e decorreu no edifício da empresa no Saldanha, em Lisboa. Foram apreendidos documentos e as pessoas que trabalharam com o tema BESA foram ouvidas.

 
Inicialmente, e apesar de várias tentativas, não foi possível obter esclarecimentos de nenhum dos envolvidos: nem PJ nem Procuradoria-Geral da República nem a KPMG responderam às perguntas do Negócios sobre o tema. Contudo, ao longo da tarde de quarta-feira, 2 de Março, foram chegando reacções. 

"Ao abrigo do disposto no artigo 86º n. 13, alínea b) do Código de Processo Penal, confirma-se a realização de buscas na empresa KPMG. Estas diligências realizam-se no âmbito das investigações relacionadas com o denominado 'Universo Espírito Santo', que correm termos no Departamento Central de Investigação e Acção Penal", assinala a assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República.  

A auditora também confirmou. "No seguimento de notícias veiculadas durante o dia de hoje por alguns meios de comunicação social, a KPMG Portugal confirma que, durante o dia de hoje, decorreram diligências por parte das autoridades judiciais nas suas instalações em Lisboa, relativamente a processos em curso relativos ao universo BES e que não visam a KPMG Portugal, que é mera depositária de informação", indica um comunicado.

A ligação da KPMG ao GES

Nos últimos anos, foi desencadeada uma operação judicial designada de Universo Espírito Santo que investiga os movimentos que conduziram à queda do Grupo Espírito Santo, que controlava um dos maiores bancos privados do país, o BES. Para essa investigação foram enviadas as várias fases da auditoria externa realizada pela Deloitte por contratação do Banco de Portugal: uma dessas partes visava exclusivamente das relações entre o BES e o BESA. Tal como foi então noticiado, as falhas do sistema de prevenção do branqueamento de capitais e a informalidade na concessão de crédito pelo BESA foram algumas das conclusões.

 

A KPMG era a auditoria do Banco Espírito Santo em Portugal e do BES Angola, não tendo conseguido evitar que o primeiro criasse uma forte exposição ao banco angolano, que tinha concedido créditos sem garantias em torno de 3 mil milhões de euros (que obrigou o Estado de Angola a conceder uma garantia estatal).

 

Sikander Sattar esteve, por duas ocasiões, na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES, uma para falar enquanto presidente da KPMG Portugal e outra como KPMG Angola, defendendo que "o auditor externo do BES, a KPMG Portugal, andou a analisar, a detectar, a identificar, a verificar, a quantificar e a recomendar – em cima dos acontecimentos, repito – que os efeitos dos actos e operações efectuados fossem devidamente reflectidos nas contas". O BES contava para 5% da facturação da KPMG, segundo disse na mesma altura.

 

Apesar disso, as conclusões do relatório final do inquérito parlamentar lançavam críticas à actuação da auditoria (e de outras que estavam ligadas a outras empresas do Grupo Espírito Santo, mas na área não financeira). 

 

Em relação ao BES, a KPMG era também a auditora dos veículos montados pelo Credit Suisse de que os clientes emigrantes do banco e sucursais passaram a ter acções preferenciais – e de cujo investimento não deverão recuperar todo o investimento apesar da proposta comercial feita pelo Novo Banco. Estes veículos financiaram empresas do GES e o próprio BES.

 

Foi a aposta no mercado angolano que levou a KPMG a contratar, no final de 2013, um grupo de cinco colaboradores da PWC.

 


As conclusões da comissão de inquérito ao BES à actuação da KPMG
"A partir de 2002, as contas das principais empresas do ramo financeiro do GES foram alvo de auditorias externas realizadas pela KPMG, sem que dos correspondentes relatórios conste qualquer situação de alerta para problemas especialmente graves quanto à correspondente situação patrimonial das empresas auditadas".

"Conforme anteriormente referido, as auditorias efectuadas às contas do BESA, pela KPMG Angola, apresentam algumas reservas e ênfases, como a identificação no exercício de 2013 de um conjunto de operações de crédito a 5 entidades no montante de 400 milhões de euros para projectos imobiliários com níveis de capitais próprios muito reduzidos". 

"Porém, tais relatórios em nada deixam antever a preocupante situação registada no BESA quanto à qualidade da sua carteira de crédito, que viria a determinar a criação de uma garantia soberana de Angola e mais tarde a extinção do próprio BESA". 


(Notícia actualizada às 18:01 com confirmações das buscas pela PGR; actualizada pela segunda vez às 18:47 com posição da KPMG)




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