Justiça Freitas do Amaral: “Rezei por José Sócrates”

Freitas do Amaral: “Rezei por José Sócrates”

Em entrevista ao Público e à Renascença, o co-fundador do CDS - e mais tarde ministro dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates - diz que nunca visitou o antigo primeiro-ministro na prisão, mas que rezou por ele. Pelo caminho, deixa críticas à Justiça portuguesa.
Freitas do Amaral: “Rezei por José Sócrates”
Bruno Simão
Negócios 27 de outubro de 2016 às 09:50
"Várias vezes pensei nisso [ir visitar José Sócrates]. Mas entendi que, não havendo uma relação de amizade pessoal entre nós dois e tendo depois havido um distanciamento na medida em que eu o critiquei pelo despesismo que caracterizou os últimos dois anos do Governo dele, não havia uma obrigação da minha parte nem com certeza uma expectativa da parte dele de que eu fosse visitá-lo", respondeu aos jornalistas. "Mas pensei nele. E rezei por ele. Eu sou católico e gosto de rezar pelos doentes, pelos presos e por aqueles que estão em situação de aflição."
 
O antigo governante deixou também críticas à actuação da Justiça neste caso. "Não gostei nada de ver um antigo primeiro-ministro do meu país em prisão preventiva durante tanto tempo. E sem que, no momento em que saiu, fosse deduzida a acusação", afirmou. "Prender-se um antigo primeiro-ministro durante quase um ano, com vista a recolher provas para uma acusação, e depois já passou mais um ano e tal e não há acusação nenhuma, acho que isso é um mau exemplo da justiça portuguesa."
 
Freitas do Amaral não se arrepende de ter feito parte de um Executivo liderado por José Sócrates, por dois motivos. Reconhece ao Público e à Renascença que nessa altura as suas ideias políticas já estavam mais próximas do PS do que do PSD e CDS e que, em 2005, Sócrates "não era o engenheiro Sócrates que hoje o país conhece ou julga que conhece". "Era uma pessoa de quem ninguém dizia mal. De quem, nos primeiros meses, as bases do PSD gostaram muito pela sua energia, pela sua capacidade de decisão, pela sua capacidade de enfrentar certas corporações, como a dos professores e a dos magistrados do Ministério Público."
 
E nunca suspeitou que ele não fosse um primeiro-ministro sério? Freitas do Amaral diz que "não tinha razão nenhuma para suspeitar de tudo o que, mais tarde, apareceu". "Precisamos de saber, de uma vez por todas, após um debate de contraditório, e através de um poder judicial independente, se aquele senhor foi um primeiro-ministro sério ou se não foi", sublinha. 



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