Justiça José Sócrates esperava que o Partido Socialista pedisse as provas contra si

José Sócrates esperava que o Partido Socialista pedisse as provas contra si

Sócrates diz que ao longo deste ano não lhe faltaram amigos e afirma que pediu ao PS que não se pronunciasse sobre a sua detenção. No entanto, o ex-primeiro-ministro esperava que o PS tomasse uma posição face à ausência de provas.
José Sócrates esperava que o Partido Socialista pedisse as provas contra si
Liliana Borges 14 de dezembro de 2015 às 22:27

À justiça o que é da justiça e à política o que é da política. Esta foi uma das afirmações mais recorrentes quando era pedido um comentário à detenção do antigo primeiro-ministro José Sócrates, uma frase com que Sócrates disse, numa conferência em Vila Velha de Ródão, a 24 de Outubro, não concordar.

No entanto, em entrevista à TVI esta segunda-feira, 14 de Dezembro, o antigo líder socialista mostrou outra posição. Depois de comentar a importância da defesa da "independência do poder judicial do poder político", Sócrates afirmou ter apelado ao Partido Socialista que não se pronunciasse sobre o seu caso, mas sublinhou que esperava que este "silêncio" socialista não se mantivesse durante um período tão longo. "Ao fim de seis meses esperava que o Partido Socialista pedisse as provas" [contra si], confessou José Sócrates.

O engenheiro sublinha, no entanto, que não lhe faltaram amigos. "E todos aqueles que queria que estivessem comigo, estiveram comigo", acrescentou.

O antigo primeiro-ministro recusou comentar a sua relação com António Costa, e preferiu reiterar que "este processo serviu para o anterior governo alimentar a conversa sobre o governo anterior", destacando que só foi solto depois das eleições e voltando a acusar o Ministério Público de "montar uma campanha de culpabilidade". 

Sócrates citou o filósofo francês Montesquieu, argumentando que "numa democracia, quando vemos um abuso sobre alguém, é uma ameaça aos demais", e acrescentando ter a certeza de que "muitos aspectos [relacionados com a sua detenção] irão continuar em debate".

"A ideia que eu tenho, e que é legítima a suspeita, é que já nem precisam de apresentar as acusações porque o mal já está feito, uma vez que o Partido Socialista perdeu as eleições". Sócrates acredita ainda que a sua prisão funciona "como prova" para a opinião pública, que vê a sua prisão como evidência de que existiu efectivamente crime. 


"O que me impressiona mais é ver um país democrático proceder desta forma", disse várias vezes o antigo primeiro-ministro. José Sócrates declarou ainda que os "únicos responsáveis possíveis" pela violação do segredo de justiça só poderão ser Paulo Silva, coordenador da investigação ao nível do órgão de polícia criminal (OPC), o procurador-geral adjunto titular do inquérito, Rosário Teixeira, e o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), Carlos Alexandre, numa conclusão apresentada pelo próprio chefe da investigação. 

"Eu estive preso por uma única razão: porque poderia perturbar o inquérito, mas ainda em Abril o chefe de investigação diz que quem andou a prejudicar o inquérito foi ele", destaca. "A condução do processo tem uma dimensão selvática", acusa Sócrates.

O antigo líder do PS afirmou ainda que a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, "é a principal responsável neste processo", uma vez que é dela a afirmação de que "a acusação chegará a seu tempo, quando o Ministério Público entender que é o momento processualmente adequado". A esta afirmação, Sócrates responde questionando o poder do Ministério Público e concluindo que isso "não é investigação, é perseguição".




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