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Medina exige explicações ao Governo sobre confrontos no Marquês de Pombal

O presidente da Câmara de Lisboa rejeitou que a autarquia tenha responsabilidades nos confrontos no Marquês de Pombal, no passado domingo, durante a comemoração do bicampeonato do Benfica. O MAI é que tem de explicar o “bando que faz acções marginais”.

Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 22 de Maio de 2015 às 14:46
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Fernando Medina descartou responsabilidades nos confrontos que tiveram lugar no Marquês de Pombal no passado domingo, durante a celebração da vitória do Benfica no campeonato de futebol. A dada altura, centenas de pessoas envolveram-se em confrontos com a polícia. O presidente da câmara rejeita que o novo modelo de festejos na praça – uma estrutura em torno da estátua – tenha sido a causa dos confrontos. E disse não compreender como é que o Ministério da Administração Interna não explica o que causou a confusão.

 

"Os acontecimentos do Marquês de Pombal têm a ver com a intervenção de um grupo de pessoas que tiveram actos desviantes e que provocaram desacatos com a polícia", descreveu. "O que tenho a lamentar é que, uma semana depois dos eventos, nós nada sabemos sobre quem são essas pessoas, se se tratava de membros de claques, de grupos rivais, de pessoas com outra motivação", prosseguiu. "Foram esses elementos que foram os responsáveis por perturbar uma festa em que dezenas ou centenas de milhares de munícipes participaram".

 

"As pessoas que queriam celebrar não podem ser perturbadas pelas acções de um bando que faz acções marginais", criticou.

 

E a responsabilidade de prestar esses esclarecimentos cabe ao Ministério da Administração Interna. "É essencial que haja um esclarecimento muito cabal por parte do MAI, que torne público a identificação de quem foram as pessoas" a causar os distúrbios e "o que motivou os acontecimentos" do passado domingo. Medina diz que já falou duas vezes com a ministra, Anabela Rodrigues, "sobre a necessidade de um esclarecimento".

 

O autarca não esclareceu qual foi a resposta da ministra, mas sublinhou que "é diferente sabermos se se trata de um grupo organizado, de grupos rivais, de claques de futebol", ou se "foram eventos com outro tipo de motivações". "Não pode acontecer que, uma semana depois, não sabermos qual a razão" para os confrontos.

 

"O Ministério Público remete-se ao silêncio até à conclusão da avaliação da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI). Creio que é insuficiente", insistiu.

 

PSP não desaconselhou festejos no Marquês, garante Medina

 

A operação que foi montada para a celebração do bicampeonato do Benfica seguiu moldes distintos de épocas anteriores: desta vez, a estátua do Marquês de Pombal ficou vedada por uma espécie de andaimes de metal que criavam uma estrutura circular, com passadiços, onde os jogadores puderam caminhar livremente, podendo assim deslocar-se a toda a largura da rotunda. No ano passado, por exemplo, a estrutura com o palco foi montada na parte inferior do parque Eduardo VII.

 

Ora, a intenção da autarquia com este modelo foi "precisamente evitar um contacto mais próximo entre adeptos e a equipa, proteger melhor a integridade" das pessoas "e preservar património". Isto porque noutras celebrações houve adeptos a escalar a estátua que caíram, e a própria estátua chegou a ser grafitada.

 

"A PSP não desaconselhou os festejos no Marquês, não desaconselhou a realização de festejos ao ar livre nem o fecho de uma parte da cidade", sustentou, comentando notícias que davam conta de um parecer negativo da PSP ao modelo escolhido. "Houve um parecer intermédio com diferenças relativamente a dois aspectos específicos. Esses requisitos foram cumpridos", como aumentar o anel de segurança para quatro metros, em vez de 2,5 metros, "e as declarações do senhor director nacional da PSP esclarecem tudo o que se passou".

 

Em nota enviada à imprensa esta quinta-feira, a direcção nacional da PSP sublinha que "entende não se poder estabelecer um nexo de causalidade directo entre os distúrbios ocorridos nas Praça Marquês de Pombal e o quadro de medidas organizativas e de segurança, planeado e implementado para este evento em concreto".

 

Medina explicou ainda que a câmara de Lisboa não tem competências em matéria de segurança. "Compete ao Estado assegurar as condições de segurança para assegurar que os festejos não sejam perturbados por poucas centenas de indivíduos marginais, com actos marginais". Esse é "o serviço mínimo de um Estado: assegurar a segurança aos cidadãos num momento de festa".

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