Justiça O mistério sobre a fortuna do bilionário Jeffrey Epstein

O mistério sobre a fortuna do bilionário Jeffrey Epstein

Epstein entrou no Bear Stearns em 1976 como assistente júnior de um operador da bolsa. Numa rápida ascensão, negociando opções, tornou-se sócio quatro anos depois.
O mistério sobre a fortuna do bilionário Jeffrey Epstein
Reuters
Bloomberg 14 de julho de 2019 às 11:00

Num bairro de milionários e bilionários, a poucos passos da famosa área Museum Mile, em Nova Iorque, duas iniciais adornam discretamente a entrada de uma das mansões mais opulentas da cidade: J.E.

 

As letras significam Jeffrey Epstein, que se define como "colecionador" de homens ricos e poderosos e que foi acusado de agredir sexualmente mulheres na luxuosa residência de Manhattan.

 

Na segunda-feira, quando promotores federais divulgaram novas acusações alegando que Epstein tinha uma rede de tráfico sexual que atraiu dezenas de jovens para a mansão, as suas pesadas portas de madeira exibiam marcas de pé de cabra - prova de como as autoridades forçaram a sua entrada no fim de semana de 4 de julho, feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos. Os promotores dizem que descobriram centenas, possivelmente milhares de fotografias sugestivas, incluindo algumas que pareciam ser de raparigas menores de idade.

 

A mais recente reviravolta na longa e lúgubre saga de Jeff Epstein acontece mais de uma década depois de um secreto acordo de delação premiada ter permitido que evitasse acusações semelhantes na Flórida. Agora, as mesmas perguntas giram novamente em torno das suas possíveis ligações com proeminentes políticos e empresários.

 

Apesar de toda a sua infâmia, há poucos detalhes de como conseguiu construir a sua fortuna. Embora seja frequentemente chamado de bilionário, o património líquido de Epstein é difícil de ser calculado. Epstein comandava uma empresa de gestão de recursos para ultra-ricos, principalmente para o fundador da Victoria’s Secret, Les Wexner, mas os seus ativos nunca foram divulgados e poucos em Wall Street trabalharam com ele como financeiro ou gestor de recursos.

 

Segundo informações dos seus advogados há mais de uma década, Epstein tinha um património líquido superior a nove dígitos. Hoje, sabe-se tão pouco sobre os atuais negócios ou clientes de Epstein que as únicas coisas que podem ser avaliadas com alguma certeza são as suas propriedades. Estima-se que a mansão de Manhattan (na foto à esquerda) esteja avaliada em pelo menos 77 milhões de dólares, segundo um documento federal apresentado antes da audiência de fiança de Epstein.

 

O responsável também tem propriedades no Novo México, Paris e Ilhas Virgens Americanas, onde tem uma ilha privada, e uma propriedade em Palm Beach avaliada em mais de 12 milhões de dólares. Epstein desloca-se entre as suas propriedades num jato privado e tem pelo menos 15 carros, incluindo sete Chevrolet Suburbans, de acordo com autoridades federais.

 

O início da carreira de Epstein é melhor documentado. Nascido em 1953 e criado no Brooklyn, Epstein abandonou a Cooper Union e o Instituto Courant da NYU. Conseguiu um emprego a ensinar cálculo e física na Dalton School de Manhattan entre 1973 e 1975, segundo um perfil publicado pela revista New York, em 2002, onde os seus alunos incluíram o filho do presidente do conselho do Bear Stearns, Alan Greenberg.

 

Epstein entrou no Bear Stearns em 1976 como assistente júnior de um operador da bolsa. Numa rápida ascensão, negociando opções, tornou-se sócio quatro anos depois, tendo sido elogiado pelo ex-CEO Jimmy Cayne. Saiu em 1981 para fundar a J. Epstein & Co.

 

Tinha um foco exclusivo: atenderia apenas bilionários. Epstein teria tomado todas as decisões de investimento.

 

Desde a década de 1990, a empresa foi incorporada às Ilhas Virgens Americanas e agora é chamada de Financial Trust Co. Uma pessoa que atendeu o telefone da empresa com sede em St. Thomas desligou após um pedido de comentários.

 

O principal cliente foi Wexner, fundador da fabricante de roupas íntimas L Brands. Epstein começou a gerir o seu dinheiro na década de 1980, e um perfil de 2003 da Vanity Fair destacou que a dupla tinha um relacionamento próximo, o suficiente para que Epstein comprasse a mansão de Manhattan de Wexner.

 

Wexner, que tem uma fortuna de 6,7 mil milhões de dólares, segundo o Índice de Bilionários Bloomberg, não quis comentar. Nenhum dos outros clientes de Epstein foi identificado. Mas, embora a gestora de recursos continue sendo uma caixa preta, o mesmo não pode ser dito do próprio Epstein.

 

(Texto original: Mystery Around Jeffrey Epstein's Fortune and How He Made It)




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