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Oito meses de combate ao crime económico cobriam custos da nova sede da PJ

Edifício custou 87 milhões de euros e vai juntar todas as unidades da Polícia Judiciária num mesmo espaço com cerca de 100 mil metros quadrados. Tem um heliporto, uma sala totalmente blindada apta a gerir situações de crise e, até, um museu com, entre outras coisas, falsificações quase perfeitas apreendidas pela PJ.

Filomena Lança filomenalanca@negocios.pt 11 de Março de 2014 às 15:38
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“Os ganhos directos e indirectos de oito meses de combate à criminalidade económico-financeira foram suficientes para os custos de construção” do novo edifício da Polícia Judiciária (PJ), que custou 87 milhões de euros, garantiu esta terça-feira, 11 de Março, o director nacional desta polícia, Almeida Rodrigues.

 

O responsável falava no discurso de inauguração da nova sede, cuja cerimónia decorreu hoje em Lisboa e contou com a presença de Pedro Passos Coelho e da Ministra da Justiça. Mais tarde, já em declarações aos jornalistas, Paula Teixeira da Cruz explicaria que o director nacional  fora até modesto nos cálculos e que o combate da PJ à fraude e ao crime-económico rondou, nos últimos oito meses, rondou os 130 milhões de euros, valor superior aos 87 de investimento no novo edifício.

 

O investimento, concretizou a ministra, representou 35% do orçamento de investimento do Ministério durante o período de três anos que demorou a sua execução. Inicialmente estavam orçamentados e contratualizados 105,5 milhões, mas o valor foi renegociado a acabaria por baixar para os 87 milhões, “com uma poupança de quase 18 milhões”, sublinhou.

 

A PJ vai agora reunir, num mesmo edifício – 80 mil metros quadrados, a que se somam outros 20 mil do edifício já existente na Gomes Freire – todas as unidades que se encontravam dispersas por vários edifícios em diferentes pontos da cidade, muitas vezes “em prédios de escritórios ou mesmo de habitação e com graves deficiências funcionais e de segurança”, referiu Almeida Rodrigues.

 

Sala blindada para gerir situações de crise

 

No topo do novo edifício está instalado um heliporto pronto a receber helicópteros até seis toneladas, apesar de a PJ não dispõe de nenhum veículo deste género. Deverão lá aterrar os da Marinha e da Força Aérea, sempre que necessário, e os que tragam doentes urgentes para o hospital de Dona Estefânia, mesmo ali ao lado.

 

Há também uma “sala de situação”, preparada para gerir momentos de crise, dois auditórios com tradução simultânea, duas carreiras de tiro, uma para tiros de carabina e outra que permitirá disparar contra carros em movimento.  O laboratório de polícia científica, também reinstalado no novo edifício, crescerá oito vezes em relação ao actual.

 

A “Sala de Situação”, destinada ao centro de operações, tem segurança reforçada, uma espécie de gaiola de segurança, toda rodeada de betão armado reforçado. Esta organizada em patamares, como um anfiteatro, em que os operacionais se irão instalar de acordo com o respectivo nível de autoridade.

 

Esta sala pode ser fechada hermeticamente e está incluída num conjunto que tem também um quarto onde se pode pernoitar, uma cozinha para preparar refeições e um acesso directo ao heliporto.  

 

Tem também tecnologias sofisticadas, que permitem acesso directo a informação vinda do exterior, videoconferência e comunicações que permitem acompanhar uma operação em directo, facilitando tomas de decisão que exijam rapidez. Será, em suma, uma espécie de bunker, capar de dar resposta a um cenário de crise que se prolongue por vários dias.

 

No novo edifício há ainda uma sala em que foi criado um pequeno museu, onde é possível apreciar obras de Picasso ou de Klimt, entre vários outros que têm em comum o facto de serem todas falsificações, apreendidas ao longo do tempo pela PJ.

 

“Portugal passa a dispor, a partir de hoje, de uma das melhores sedes, a nível mundial”, e uma polícia de investigação como a PJ, garantiu Almeida Rodrigues. Trata-se de “um edifício pensado ao pormenor”,  cujo enquadramento foi direccionado para a grande investigação da criminalidade.

 

Numa cerimónia com mais de 300 pessoas a que compareceram altos responsáveis das várias áreas da justiça, como os presidentes dos supremos tribunais, PGR e bastonária da Ordem dos Advogados, entre outros. Entre os presentes, Alberto Costa, ex-ministro da Justiça de Sócrates e um dos responsáveis – juntamente com o seu sucessor, Alberto Martins – pelo lançamento do projecto da nova sede da PJ. 

 

Veja em baixo um vídeo da PJ com a história das várias sedes da instituição.

 

 

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