Justiça Operação Marquês: Sócrates mostra-se satisfeito com o que se passa no interrogatório

Operação Marquês: Sócrates mostra-se satisfeito com o que se passa no interrogatório

O ex-primeiro-ministro José Sócrates disse esta terça-feira, à saída do segundo dia de interrogatório no Tribunal Central de Instrução Criminal, que estava muito satisfeito com tudo o que se tem passado na sala de audiência.
Operação Marquês: Sócrates mostra-se satisfeito com o que se passa no interrogatório
Manuel de Almeida/Lusa
Lusa 29 de outubro de 2019 às 22:14

No final de mais uma tarde de interrogatório da fase de instrução do processo Operação Marquês, José Sócrates não falou sobre os temas acerca dos quais tem sido inquirido pelo juiz Ivo Rosa, mas disse estar "muito satisfeito como as coisas estão a correr".  

 

Perante o juiz, segundo fontes ligadas ao processo, o ex-primeiro-ministro reiterou que não interferiu na nomeação de Armando Vara para administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD), em 2006, à semelhança do que disseram testemunhas por si arroladas na fase de instrução, nomeadamente o ex-ministro das finanças Teixeira dos Santos. 

 

Para o advogado de Armando Vara, "hoje ficou mais claro que não foi Sócrates quem escolheu Armando Vara para a administração da CGD e que não teve nenhuma influência na nomeação".

 

Quanto à sua intervenção no negócio da construção do resort de Vale do Lobo, no Algarve, o ex-primeiro-ministro negou tudo e reafirmou, perante o juiz, aquilo que tinha dito no interrogatório do MP, que apenas conhece o restaurante tailandês do empreendimento algarvio.  

 

Segundo o Ministério Público, os pagamentos feitos a José Sócrates pelo grupo que liderava o empreendimento turístico tinham como objetivo flexibilizar os financiamentos concedidos pela CGD, dirigida por Armando Vara.

 

"José Sócrates conluiado com o arguido Armando Vara, à data administrador da CGD, recebeu também pagamentos com origem em receitas desviadas do grupo Vale de Lobo", indica a acusação

 

José Sócrates negou também ter tido alguma intervenção ou ter recebido dinheiro pela adjudicação ao consórcio Elos, que incluía empresas do grupo Lena, do primeiro troço da rede de alta velocidade (TGV) Poceirão/Caia, que iria custar 1.400 milhões de euros.

 

Versão diferente tem o MP que alega que Sócrates interveio a favor dos interesses do Grupo Lena e dos seus parceiros de negócio no domínio de procedimentos concursais, através da antecipação de informação e da conformação contra a lei dos respetivos procedimentos e contratos adjudicados.

 

Apesar de negar ter beneficiado o consórcio, nomeadamente o grupo Lena, o ex-governante disse, segundo as mesmas fontes, que o comboio de alta velocidade é uma boa opção para Portugal.

 

Na quarta-feira continua o interrogatório do juiz Ivo Rosa e do Ministério Público ao ex-primeiro-ministro que deverá esgotar os quatro dias que foram marcados para se defender na fase de instrução.

 

Sócrates está acusado de corrupção, branqueamento de capitais, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada. Ao todo, a Operação Marquês conta com 28 arguidos, acusados de 188 crimes.

 

Considera o MP que Sócrates recebeu, entre 2006 e 2015, um total de 34 milhões de euros, a troco de favorecimento a interesses do Grupo Espírito Santo, na concessão de financiamento por parte do banco público ao empreendimento Vale do Lobo e ao Grupo Lena, dinheiro esse que terá sido movimentado por contas de Carlos Santos Silva, o empresário amigo do ex-governante também acusado neste processo.

 

A fase de instrução, facultativa e requerida por 19 arguidos, visa apurar se existem indícios suficientes para o processo seguir para julgamento e, se sim, em que termos.

 




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