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Sócrates acusa a Justiça de querer impedir a sua candidatura a Belém

"Não há provas contra mim", diz o ex-líder do PS em entrevista a um diário holandês. José Sócrates garante manter um "espírito combativo" e acusa a imprensa de "conluio" com a Justiça.

Sócrates: a libertação e a providência cautelar: A 4 de Setembro, o ex-primeiro-ministro é libertado e passa a aguardar julgamento sob prisão domiciliária e sem pulseira electrónica. Em Outubro, uma providência cautelar interposta pela defesa de Sócrates passa a impedir a divulgação de notícias ligadas à 'Operação Marquês' pelo grupo Cofina.
David Santiago dsantiago@negocios.pt 09 de Fevereiro de 2016 às 19:41
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José Sócrates mostra-se seguro da sua inocência e lembra que "não há provas contra mim". Numa entrevista publicada esta terça-feira, 9 de Fevereiro, pelo jornal holandês NRC, o antigo primeiro-ministro mantém intacta a sua narrativa, assegurando estar inocente e acusando a imprensa de "conluio" com a Justiça. Sócrates também não poupa a direita, mais concretamente o seu sucessor na chefia do Governo, Passos Coelho.

 

A inexistência de provas contra si e a não formalização de uma acusação 15 meses após a sua detenção, depois de 10 meses passados no Estabelecimento Prisional de Évora, é para Sócrates "inacreditável". "Inacreditável que tal coisa seja possível em democracia".

 

O antigo secretário-geral do PS, indiciado pelos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fuga ao fisco, classifica de kafkiano o processo judicial construído à sua volta, considerando ainda ser normal o espanto com que por vezes, na Europa, se olha para este caso. "A indiferença é uma grande ameaça para a democracia", avisa José Sócrates.

 

Sócrates não quis falar sobre a forma como tem vivido estes "momentos difíceis", mas não perdeu a oportunidade para reafirmar o seu "estado de espírito combativo" contra aqueles que fizeram da sua prisão um programa de televisão, procedimento que afiança ser algo de "muito humilhante".

 

Aqui chegados, José Sócrates só consegue explicar o processo judicial denominado de Operação Marquês como resultante de "ódio político" contra si mesmo, numa alegada tentativa de a Justiça impedir uma hipotética candidatura a Presidente da República, algo que "nunca fez parte da minha ambição".

 

Esse "ódio" é instrumentalizado por uma relação de "conluio" entre a imprensa e a justiça, acusa Sócrates, que garante que muitos jornalistas obtêm informações privilegiadas para em troca escreverem laudativamente sobre a Justiça.

 

Sócrates pensou nos "líderes socialistas" detidos durante a ditadura

 

Recordando um poeta francês da resistência já citado anteriormente, José Sócrates voltou a recordar René Char como tendo sido inspirador para si próprio, revelando ainda que nos meses que passou detido em Évora se recordou várias vezes que também o Partido Socialista foi criado num ambiente de resistência, com muitos "líderes socialistas" detidos.

 

O antigo líder socialista agradece também o apoio dado por figuras como António Guterres, ex-primeiro-ministro, que lhe terá também entregue calorosos cumprimentos da parte de Jean-Claude Juncker, actual presidente da Comissão Europeia.

 

Mas Sócrates não esquece a forma como foi tratado, isto apesar de ter sido primeiro-ministro. E lembra que estava ele detido há pelo menos seis meses quando o Governo português e os deputados protestaram contra as autoridades de Timor-Leste pelo facto de terem detido um cidadão português sem acusação formal.

 

O igualmente antigo primeiro-ministro, Passos Coelho, também não foi esquecido. Sócrates acusa o seu sucessor em São Bento de ter entregue o país às instâncias europeias, algo que exemplifica através de um verso da Divina Comédia, de Dante: "Deixai toda esperança, ó vós que entrais". Na perspectiva de José Sócrates, Passos Coelho retirou a "esperança" aos portugueses, obrigados a emigrar em busca de uma vida melhor.

 

Também o rumo da União Europeia não escapa às críticas do antigo ministro do Ambiente de Guterres. A forma como Bruxelas está a gerir a crise dos refugiados merece duras críticas de Sócrates, que pergunta onde estão "os ideais" europeus. 

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