Justiça Sócrates compara-se a Lula como alvo de "golpe político da direita"

Sócrates compara-se a Lula como alvo de "golpe político da direita"

O ex-primeiro-ministro diz que a Operação Marquês também visou bloquear a sua candidatura à Presidência e conseguiu "intimidar" a direcção de António Costa.
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António Larguesa 11 de abril de 2016 às 13:21

José Sócrates traçou um "curioso paralelismo" entre o seu próprio processo judicial, em que é suspeito de crimes de corrupção, fraude fiscal e lavagem de dinheiro, e o que neste momento envolve Lula da Silva no Brasil, sustentando que "como no [seu] caso, houve detenção abusiva e querem julgamentos populares sem possibilidade de defesa".

 

Numa entrevista à edição brasileira do El Pais, o ex-primeiro-ministro português lamentou que se "condene alguém sem direito a defesa" como "acontece no Brasil e em Portugal" e descreveu também o que considera "um golpe político da direita", que "agora não mobiliza os militares" mas utiliza o sistema judicial para "condicionar eleições".

 

Tal como acredita que a Operação Marquês visou obstruir a sua própria candidatura à Presidência da República nas eleições de Janeiro de 2016, Sócrates acha que o envolvimento do nome de Lula na investigação Lava Jato visa também "impedir a candidatura" do político brasileiro à presidência em 2018.

 

Já o processo de "impeachment" da actual ocupante do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, é apontado como "uma vingança política da direita, que não aceita a derrota nas urnas", acrescentando que os acontecimentos políticos do outro lado do Atlântico são "uma tentativa de destituição sem delito, sem fundamento constitucional"

 

Numa entrevista em que repete as críticas ao Ministério Público português – como tinha feito ainda há dias num artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias –, o ex-líder socialista expressa alguma mágoa com a falta de apoio de António Costa, enquanto esteve detido preventivamente em Évora. "Nunca me senti verdadeiramente só. Conseguiram intimidar a direcção do PS, mas não os seus militantes. De certa forma, estou contente de que a direcção do PS ficasse afastada porque há batalhas que é preciso ganhar sós, e esta é uma delas", resumiu.

 

Questionado sobre o perfil e a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa, José Sócrates começou por dizer que nunca lhe "agradou o interesse [do actual chefe de Estado] em querer contentar a todos" e vê "o alvoroço diário de sua Presidência como uma necessidade de querer sublimar a frustração por ter sido afastado da política durante vinte anos".




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