Justiça "Temos um edifício novo com os problemas antigos"

"Temos um edifício novo com os problemas antigos"

O actual mobiliário e o parque informático da Polícia Judiciária, apontado como obsoleto pelos inspectores, vai transitar para o novo edifício. As queixas de ausência de perspectivas profissionais e impossibilidade de progressão na carreira também
Filomena Lança 11 de março de 2014 às 19:47

Foi com “um misto de sentimentos” que o pessoal da Polícia Judiciária assistiu hoje à inauguração da nova sede, afirma Carlos Garcia, presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC). “O edifício é muito importante, claro, mas nos últimos anos parece que só se viveu para esta inauguração, esquecendo-se as pessoas”, concretiza o responsável.

 

Não é de hoje que a ASFIC e o Ministério da Justiça andam de candeias às avessas, sobretudo porque, queixam-se, “as progressões na carreira estão congeladas, não há concursos e não há perspectivas”.

 

E isso “é grave” até do ponto de vista “do funcionamento do serviço”, explica o sindicalista. Há pessoas que se vão aposentando, mas que depois não são substituídas. Tratando-se de chefes, os lugares ficam em aberto e “vão sendo preenchidos por pessoas de categoria profissional inferior, que não podem ser promovidas e que, por isso, nem sequer recebem mais pelo trabalho que passam a fazer”.

 

Há locais como Faro ou Braga, em que “não há um único coordenador”, explica Carlos Garcia.

 

Além disso, têm um regime de exclusividade que “com os cortes salariais que têm havido na Função Pública, levam as pessoas para situações de quase indignidade”.

 

Um braço de ferro, que já levou a muitas horas de greve, tinha a ver com as horas extraordinárias. Em Fevereiro deste mês entrou em vigor o novo valor a que passaram a ser pagas “mas, apesar de ter duplicado, anda apenas nos três euros”, refere Carlos Garcia.

 

Têm agora a promessa de revisão do estatuto, mas a primeira reunião com o ministério, para determinar a metodologia para a negociação do estatuto só acontecerá na próxima semana.

 

Material informático obsoleto

 

Outra queixa, também antiga, prende-se com o parque informático do PJ, que é antigo e que também não será substituído. Foram adquiridos alguns novos computadores, mas estão longe de ser suficientes para todos, pelo que a maioria dos inspectores continuará com os antigos, que “não suportam sequer uma actualização de software”, explica Carlos Garcia.

 

O mesmo acontece com o mobiliário em geral já que só a unidade de combate à corrupção teve direito a secretárias novas. E com os carros, já que, apesar de o Ministério ter lançado um concurso para aquisição de novas viaturas, estas “tardam em chegar”.




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