Angola Eduardo dos Santos anuncia que sairá do poder em 2018

Eduardo dos Santos anuncia que sairá do poder em 2018

O Presidente da República revelou, esta sexta-feira, que vai abandonar a política activa em 2018. Esta circunstância significa que Eduardo dos Santos deverá ainda concorrer às eleições de 2017.
Eduardo dos Santos anuncia que sairá do poder em 2018
Celso Filipe 11 de março de 2016 às 10:24

José Eduardo dos Santos anunciou esta sexta-feira, 11 de Março, que vai abandonar a política activa em 2018.


O Presidente da República de Angola fez este anúncio durante o discurso de abertura da 11ª sessão ordinária do comité central do MPLA, o qual serve para preparar o 7º congresso ordinário do partido marcado para Agosto, noticiou a Angop.


Isto significa que José Eduardo dos Santos irá novamente concorrer às eleições de 2017, na condição de número um da lista do MPLA e que o número dois desta lista, caso o partido vença, será o seu sucessor no Palácio da Cidade.


Ainda segundo a Angop, durante a sua intervenção, José Eduardo dos Santos defendeu a necessidade de um combate mais firma à gestão danosa.


Em paralelo, escreve a Angop, "reconheceu que ficaram aquém do desejado as metas preconizadas em vários domínios, lançou um apelo aos angolanos e aos empresários, em particular, no sentido de se empenharem na produção de bens para o consumo interno e a exportação".

O site informativo Rede Angola, lembra que em Junho de 2015, Em Junho do ano passado, na reunião preparatória do sétimo congresso ordinário do partido deste ano, José Eduardo dos Santos já havia bordado a possibilidade da sua saída: "Deveremos estudar com muita seriedade como será construída a transição. Na minha opinião é conveniente escolher o candidato a Presidente da República, que é competência do comité central [órgão máximo entre congressos] nos termos dos estatutos, antes da eleição do presidente do partido no sétimo congresso ordinário", afirmou na ocasião.


José Eduardo dos Santos ocupa a presidência de Angola desde 1979.

O anúncio de retirada da política da activa volta a colocar na ordem do dia a questão da sucessão de José Eduardo dos Santos. Manuel Vicente, o actual vice-presidente, era apontado como o seu delfim, mas as suspeitas que recaem sobre ele de envolvimento num caso de corrupção em Portugal, poderá ditar o seu afastamento desta corrida.


Segundo o Negócios soube, João Lourenço, actual ministro da Defesa, é um forte candidato à sucessão de José Eduardo dos Santos. 

Refira-se que logo após as eleições de 2012, que deram a vitória ao MPLA, se especulou sobre a saída de José Eduardo dos Santos a meio do mandato, cedendo o seu lugar na Presidência a Manuel Vicente, uma hipótese que nunca se materializou.

Durante a sua intervenção nesta sessão ordinária do comité central do MPLA, José Eduardo dos Santos afirmou existirem resultados positivos na execução do Plano de Desenvolvimento Económico e Social em curso, mas considerou que os mesmos ainda estão "muito aquém" das metas definidas no documento. O Presidente angolano sinalizou o aumento da produção, a melhoria da gestão das empresas públicas, o funcionamento do sector bancário, no apoio aos empresários angolanos e o enquadramento dos quadros recém-formados como áreas onde se ficou abaixo das metas fixadas no referido documento.

 

Bispos denunciam má gestão e compadrio

Esta quinta-feira, 10 de Março, a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), numa nota pastoral inédita pelo seu tom, alertou para a grave crise económica e financeira que o país vive, apontando a "falta de ética, má gestão do erário público, corrupção generalizada, à mentalidade de compadrio, ao nepotismo, bem como à discriminação derivada da partidarização crescente da Função Publica, que sacrifica a competência e o mérito", como razões que contribuíram para aprofundar os problemas de Angola.

 

Na referida nota, os bispos lançaram um apelo aos governantes e aos funcionários públicos. "Pedimos que façam a gestão da coisa pública com competência, sentido de justiça, transparência, honestidade, sentido de missão e compromisso com a Nação. Só assim estarão à altura de edificar adequadamente o bem comum. Jamais esqueçam que, além do respeito que todos lhes devemos, são servidores do povo".



(Notícia actualizada com mais informação às 10h45)




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