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Portugal vai beneficiar em 2018 com as mudanças em Angola?

Portugal rejubilou com a onda de exonerações promovida por João Lourenço. Passada a euforia fica uma certeza. Enquanto não se encerrar o caso Manuel Vicente, as relações bilaterais vão continuar no congelador.

As eleições de 23 de Agosto em Angola decorreram com a normalidade esperada. João Lourenço, cabeça-de-lista do MPLA e candidato à sucessão de José Eduardo dos Santos, foi o mais votado e garantiu a entrada no Palácio da Cidade Alta, residência oficial do chefe de Estado angolano. O acto eleitoral ficou marcado por um facto que ficará para a história. Eduardo dos Santos disse adeus à presidência, fechando um longo ciclo de 38 anos e abrindo a porta a uma transição que prometia ser tranquila. O espanto veio logo depois. Quando muitos pensavam que o novo líder seria uma marioneta e José Eduardo dos Santos continuaria a mexer os cordelinhos do poder angolano, João Lourenço surpreendeu com uma autêntica razia de titulares de cargos públicos afectos ao antigo presidente. A começar pelo governador do Banco Nacional de Angola, Valter Filipe, e terminando na mediática Isabel dos Santos.
Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 29 de Dezembro de 2017 às 12:00
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O novo Presidente de Angola prometeu "moralizar" a sociedade e exonerou de cargos públicos mais de uma dezena de figuras ligadas ao seu antecessor, José Eduardo dos Santos, entre as quais  Isabel dos Santos.

A vontade revelada por João Lourenço de combater a corrupção e a limpeza do aparelho do Estado, em teoria, são duas  ferramentas amigas dos empresários e dos investidores. Contudo, não é expectável que os portugueses venham a beneficiar do novo quadro político-económico de Angola. Pelo contrário.

Antes de mais porque João Lourenço, no seu discurso de tomada de posse, a 26 de Setembro, deixou Portugal fora da lista dos principais parceiros. E depois, como avisou, no final de Novembro, o ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, enquanto o caso Manuel Vicente não tiver uma resolução, as relações bilaterais ficarão no congelador. "Este já não é um caso individual de justiça, é um caso do Estado angolano e enquanto não tiver um desfecho, o Estado angolano não se moverá nas acções de cooperação com Portugal, e competirá às autoridades do Estado português verem se vale a pena esta guerra", declarou o diplomata.

Neste quadro, Portugal irá continuar a perder terreno enquanto parceiro institucional de Angola, o que mitigará as oportunidades de investimento no país. E perderá espaço para países como a França, Espanha , Alemanha e Reino Unido.
Naturalmente, não haverá hostilização das empresas nacionais, dado que o Estado angolano reconhece a sua importância para o funcionamento da economia. Mas será uma mera relação comercial, sem qualquer mais-valia política.
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