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Corruptos, invejosos, recalcados. O que o Jornal de Angola já disse sobre Portugal

O Jornal de Angola é fértil na adjectivação com que ataca Portugal. O Negócios recorda aqui as frases marcantes dos editoriais dos últimos seis anos, incluindo o desta sexta-feira, 4 de Março.

Miguel Baltazar
Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 04 de Março de 2016 às 17:30
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O Jornal de Angola voltou a atacar Portugal esta sexta-feira, 4 de Março. Nada de novo, a não ser a adjectivação usada pelo editorialista e o facto de as acusações, desta vez, se estenderem à Europa.

O Negócios recorda aqui as frases marcantes de quatro editoriais publicados pelo Jornal de Angola que tiveram Portugal como alvo. Repletos de críticas às elites e de insinuações sobre inveja, ódio e corrupção.

O pano de fundo das acusações do Jornal de Angola é, invariavelmente, as investigações da justiça a cidadãos angolanos e aquilo que o órgão de comunicação social oficial do Governo do país classifica como uma atitude persecutória ou discriminatória em relação aos mesmos. 

Mas a situação do activista Luaty Beirão, em 2015, e a atitude de Portugal, também foi fortemente criticada.


Nesta sexta-feira, no editorial intitulado "Vingança de Colono" afirma: "A instrumentalização da justiça portuguesa para lançar na lama o nome dos dirigentes angolanos e africanos de uma forma geral prossegue de forma frenética e imparável".

cotacao A instrumentalização da justiça portuguesa para lançar na lama o nome dos dirigentes angolanos e africanos de uma forma geral prossegue de forma frenética e imparável. editorial do jornal de angola de 4 de março


Mas o dado novo é o de estender as suas críticas à Europa.
 "Tal como sucede e ficou suficientemente demonstrado também com o escândalo na FIFA, os esquemas de fraude e corrupção mundiais nascem e desenvolvem-se a partir da Europa, e não fora dela, e esse facto retira toda a credibilidade e atira até para o campo do ridículo todo o discurso académico e bem-falante que vem de alguns dirigentes e eurodeputados de Bruxelas acerca da necessidade do combate à corrupção e da promoção dos direitos humanos para o continente africano", argumenta o articulista.


O tom, esse, é sempre duro e polémico, com se pode constatar de seguida.

"Jogos perigosos", 12 de Novembro de 2012

"Os invejosos e ingratos para com quem os quer ajudar estão gastos de tanto odiar. Que o diga a chanceler Angela Merkel, que ajudou a salvar Portugal da bancarrota, mas é todos os dias insultada".


As "elites políticas portuguesas odeiam Angola".


"As relações entre Angola e Portugal são prejudicadas quando se age com tamanha deslealdade. A cooperação é torpedeada quando um ramo mafioso da Maçonaria em Portugal, que amamentou Savimbi e acalenta o lixo político que existe entre nós, hoje determina publicamente o sentido das nossas relações, destilando ódio e inveja contra os angolanos de bem".


"O banditismo político tem banca em jornais que são referência apenas por fazerem manchetes de notícias falsas ou simplesmente inventadas".

"Reciprocidade", 9 de Outubro de 2013

"A comunicação social portuguesa, cominada pelas elites portuguesas corruptas e ignorantes, incluindo órgãos públicos como a RTP e a RDP, quando se referem a Angola fala do 'regime de José Eduardo dos Santos' como falam do 'regime de Assad', do 'regime do Irão' ou do 'regime da Coreia do Norte' e do 'ditador Mugabe'. É o ataque gratuito e desqualificado, mas mesmo assim, inadmissível vindo de um país amigo".


"Não temos que considerar e respeitar quem nos destrata, desonra e injuria os nossos cidadãos e representantes políticos".


"Se de Portugal continuam a chover insultos e calúnias, não podemos continuar pacientemente à espera que a inteligência ilumine as elites portuguesas corruptas e ignorantes. A nossa resposta nestas circunstâncias só pode ser uma: reciprocidade".

"Uma atitude desleal", 18 de Novembro de 2014

"A situação é data forma anómala que até fica a ideia de que quem quiser fazer uma carreira política em Portugal tem que dizer mal do presidente de Angola, dos políticos angolanos que fazem parte do partido que venceu as eleições com maioria qualificada, dos nossos empresários, mesmo dos que investem elevadas somas para ajudar Portugal a sair da crise".


"Se Portugal quer desenvolver a cooperação com Angola, não pode depois haver perseguição a cidadãos angolanos que dão o seu melhor para que os acordos de cooperação em vigor tenham sucesso".


"[Isabel dos Santos] uma empresária de alto gabarito, com muitas provas dadas no mundo dos negócios, é achincalhada e diminuída".

"De Portugal nada se espera", 25 de Outubro de 2015

"A ingerência desabrida que Portugal faz nos assuntos da soberania de Angola está a ultrapassar todos os limites".

"Esperar pela compreensão dos portugueses para se trilhar um caminho comum de cooperação mutuamente vantajosa é pura perda de tempo e prova que foi correcta a decisão tomada pelo Governo de Angola de suspender a construção dessa parceria estratégica com Portugal. Hoje nada mais resta a fazer senão trabalhar com o poder de Bruxelas, que é quem manda de facto em Lisboa. São os próprios portugueses que o dizem. Para Portugal, está apenas reservado o papel de caixa de ressonância dos diferentes interesses que se digladiam. Essa é porventura a razão por que o Governo português não condena as actuais acções de desestabilização de Angola e pactua com a ingerência".

 

"Quando se comemoram os 40 anos da independência de Angola, de Portugal continuamos a não poder esperar nada de bom".

"Vingança de colono", 4 de Março de 2016

"Depois dos artifícios fracassados da desestabilização militar e da guerra, depois de perderem no campo das eleições e depois de falharem no domínio bancário e económico, os responsáveis da antiga metrópole colonial manipulam agora os corredores da justiça para tentarem conseguir os seus intentos de neo-colonização".

"Depois de tanto fracasso, voltam desta vez a atentar contra a honra, o bom-nome, a imagem e a reputação do vice-presidente de Angola, procurando envolvê-lo em mais um escândalo de corrupção de tantos que atravessam hoje Portugal e a Europa".


"Por cada novo escândalo e crise que rebentam em Portugal, a atitude quase pavloviana que se instalou na sociedade portuguesa, por culpa de políticos antigamente ligados à UNITA de Savimbi e ao apartheid e agora movidos pela fúria da vingança, de estabelecerem uma ligação directa de Angola aos problemas que surgem parece doentia, fruto de recalcamentos não curados e a precisar de urgente tratamento psicanalítico".

 

"Percebe-se que em Portugal é muito mais fácil exigir direitos do que respeitar os dos outros. Enquanto a corrupção, o clientelismo e a vontade de vingança decidirem o actual pensamento europeu e a justiça, tudo vale como instrumento de ataque contra Angola e os seus dirigentes".

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