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Ricardo Soares de Oliveira: Se Eduardo dos Santos não conseguir proteger a família e os aliados “irá continuar no poder até morrer”

Há quatro factores que impedem Angola "de avançar muito mais e que podem até colocar em risco o progresso atingindo nos últimos anos", um deles é o desafio que representa a sucessão de José Eduardo dos Santos, realça Ricardo Soares de Oliveira, professor de Política Africana na Universidade de Oxford.

Miguel Baltazar
Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 17 de Novembro de 2014 às 16:34

"Se [José Eduardo dos Santos] não conseguir proteger os seus interesses, os da sua família chegada e os dos seus aliados, irá simplesmente continuar no poder até morrer". A análise sobre o futuro do presidente de Angola é feita por Ricardo Soares de Oliveira, professor de Política Africana na Universidade de Oxford, num artigo publicado na edição de Novembro na revista Africa Report intitulado "Pode a elite de Angola transformar-se?".

 

Ricardo Soares de Oliveira sublinha que Angola alcançou "realizações impressionantes" desde 2002, ano que marca o fim da guerra civil no país, tendo-se tornado na terceira maior economia da África subsariana. No entender deste especialista em assuntos africanos existem quatro factores que impedem Angola "de avançar muito mais e que podem até colocar em risco o progresso atingindo nos últimos anos".

 

Estes quatro elementos são a dependência quase absoluta da economia angolana do petróleo, a falta de quadros locais, os indicadores sociais, que são dos piores do mundo e o desafio que é a sucessão de José Eduardo dos Santos. Ricardo Soares de Oliveira, defende a necessidade imperiosa de diversificação de economia, a formação de quadros que mitiguem a necessidade de expatriados e uma distribuição equilibrada da riqueza que responda a uma "insatisfação cada vez maior".

 

O académico classifica José Eduardo dos Santos "como um astuto jogador que vai fazendo uma micro-gestão política que se move com o tempo" mas cuja centralidade se tem tornado "cada vez mais forte". "Se Eduardo dos Santos vai sair tranquilamente e se a elite de Angola pode operar uma transição bem-sucedida são questões-chave para os próximos anos". Estes desafios exigem uma abordagem inteiramente diferente da forma de governar que inequivocamente corte com o "business as usual", sublinha.

 

"O paradoxo", acrescenta Ricardo Soares de Oliveira, é que as pessoas e grupos – José Eduardo dos Santos e o MPLA – agora desafiados para enfrentar este momento de mudança são os mesmos que há muito mantêm as "rédeas do poder" e que beneficiaram de um estatuto que permitiu que os problemas detectados fossem apodrecendo. É por isso que o académico conclui com uma interrogação que é "a maior questão política de todas: "pode a elite angolana transformar-se?"

 
Quem é Ricardo Soares de Oliveira

Ricardo Soares de Oliveira é professor de Política Africana no departamento de Política e Relações Internacionais da Universidade de Oxford e membro do Instituto de Políticas Públicas Globais, em Berlim. É licenciado em Política pela Universidade de York, e tem um mestrado e um doutoramento em Relações Internacionais, ambos pela Universidade de Cambridge.

 

É co-autor dos livros "The New Protectorates: International Tutelage and the Making of Liberal States" (com James Mayall) e "China Returns to Africa" (com Chris Alden e Daniel Large). Ainda este ano deverá publicar o livro "Magnificent and Beggar Land: Angola Since the Civil War". O académico já trabalhou na área da "governance" para o Banco Mundial, a Comissão Europeia e o Ministério da Defesa francês.

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