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Um estádio quase cheio despediu-se do líder sul-africano com vários recados

Uma grande multidão, mas que não encheu o estádio FBN, em Joanesburgo, evocou esta terça-feira, 10 de Dezembro, o falecido ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, numa cerimónia que teve vários palcos, entre o formalismo oficial e a festa nas bancadas.

Reuters
Lusa 10 de Dezembro de 2013 às 15:35
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Muitas horas antes do início do memorial a Nelson Mandela, já se vivia no estádio um ambiente parecido com os dos concertos e dos jogos de futebol, com as bancadas a aquecerem com canções revolucionárias e hinos religiosos, ao som das vuvuzelas e de apitos.

 

Nos corredores circundantes no interior do estádio, grupos do Congresso Nacional Africano (ANC) reviviam velhas palavras de ordem e dançavam ao estilo sul-africano.

 

Muita gente, os milhares de anónimos que quiseram despedir-se de Madiba, levantou-se de madrugada para chegar a tempo ao estádio, obrigada a fazer a pé o último troço, de alguns quilómetros, debaixo da chuva que não parou de cair durante as mais de seis horas da cerimónia.

 

Muitas delas manifestaram o seu empenho em se despedir de um homem com quem se consideravam em dívida, e alegria por acreditarem que o seu exemplo perdurará.

 

Presente, a nata da classe política mundial incluía inimigos, aliados, indiferentes e ódios de estimação, instalados em camarotes contíguos, de onde acenavam para a multidão e posavam para os fotógrafos.

 

Na verdade, já houve casamentos reais e tomadas de posse republicanas menos animados do que este imenso adeus a Nelson Mandela.

 

Nos corredores, os anónimos activistas do ANC insistiam nas canções revolucionárias, cantando-as em coro, e explicando pacientemente o seu significado aos jornalistas estrangeiros.

 

O estádio veio, pela primeira vez, abaixo quando Jacob Zuma entrou no recinto e o seu nome e imagem surgiram nos ecrãs gigantes - foi uma vaia memorável para um sucessor de Mandela, igualmente veterano na luta contra o apartheid.

 

Uma segunda grande assobiadela ocorreu quando as câmaras filmaram, num recanto do estádio, jovens com boinas pretas e camisas vermelhas, a tropa de choque do Economic Freedom Fighters (EEF), do ex-líder radical juvenil do ANC, Julius Malema.

 

Foi, pois, sem surpresa que passados alguns momentos, os ecrãs interromperam as imagens em directo; e passado mais um pouco, já a maré vermelha dos homens de Malema tinha sido diluída com a chegada àquele sector da bancada de um contingente de militantes do ANC, igualmente jovens.

 

Barack Obama teve direito a uma grande saudação, e o mesmo aconteceu com Robert Mugabe, do Zimbabué; Winnie Mandela bateu claramente Graça Machel no vigor dos aplausos do público, mas, no final, as duas últimas mulheres do histórico líder do ANC abraçaram-se.

 

Além do Presidente Cavaco Silva, as cores nacionais estavam defendidas pela Casa de Pregos Portugal, debaixo da bancada, que concentrava um mar de gente à sua volta, e esse era o único sinal visível da grande comunidade portuguesa residente no país.

 

Nos próximos três dias, o corpo de Mandela vai estar exposto em Pretória, a capital, até que, no domingo, será finalmente sepultado em Qunu, a sua terra natal.

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