Américas Banca suíça na mira dos EUA por suspeitas na Petróleos da Venezuela

Banca suíça na mira dos EUA por suspeitas na Petróleos da Venezuela

Dados de transferências de clientes suspeitos que tenham relações com a empresa venezuelana serão entregues à Justiça norte-americana que pediu informações com base numa investigação a suborno e lavagem de dinheiro.
Banca suíça na mira dos EUA por suspeitas na Petróleos da Venezuela
Negócios 24 de março de 2016 às 09:40
Quase duas dezenas de bancos suíços acordaram entregar à justiça norte-americana dados de transferências de clientes ou empresas que tenham relações com a Petróleos da Venezuela e sejam suspeitos de práticas de suborno ou outras condutas criminais, avança a Bloomberg com base em informação divulgada pelo regulador suíço. A agência noticiosa escreve que entre as instituições estão a UBS, o EFG Bank e o CBH Compagnie Bancaire Helvetique. A lista de bancos não foi divulgada e o envio da informação ainda pode demorar meses.
 
A decisão surge em consequência de um pedido de Preet Bharara, um procurador do Ministério Público de Nova Iorque, que está a investigar a Derwick Associates, uma empresa de energia venezuelana, que manteve negócios com a Petróleos da Venezuela (PDVSA). O Ministério Público dos EUA garante ter encontrado indícios de suborno na empresa petrolífera, assim como no Banco de Desenvolvimento Económico e Social da Venezuela (BANDES), o banco de desenvolvimento do país.

A Bloomberg descreve o acordo de entrega de informação como um sinal da nova cooperação dos reguladores suíços com as autoridades norte-americanas, após anos de resistência a responder aos pedidos de informação relativos a mecanismos dos bancos que permititiam a fuga ao fisco a cidadãos norte-americanos. Um ponto de viragem na relação entre as duas jurisdições foi o acordo de 2009 que levou a UBS, o maior banco suíço, a pagar 780 milhões de dólares para evitar uma acusação nos EUA.

Nenhum dos bancos está acusado de qualquer má prática, mas dependendo da informação que for enviada para os EUA, o sector pode ficar sob pressão do departamento da Justiça, escreve ainda a agência, que relembra que nos últimos anos vários bancos assinaram acordos que os obrigam a partilhar informação sempre que identificarem comportamentos suspeitos de clientes. Ursula Cassani, uma professora de direito da Universidade de Genebra especialista em lavagem de dinheiro, diz que é comum que a partilha de informação leve um ano ou mais a efectivar-se. 

Venezuela em dificuldades
A investigação norte-americana surge num momento em que o país liderado por Nicolas Maduro (no foto) enfrenta sérias dificuldades económicas e políticas. A queda do preço do petróleo e a maior recessão em mais de uma década está a deixar o país à beira do incumprimento da sua dívida externa, e a oposição que ganhou o congresso no final do ano passado acusa o governo de Maduro de práticas de corrupção.

A investigação norte-americana já resultou em várias acusações, incluindo três antigos responsáveis da PDVSA e um do BANDES que reconheceram ter aceite subornos.

A informação avançada pelo regulador suíço é a primeira confirmação oficial de uma investigação à Derwick Associates, que tem sempre recusado ter pago subornos à Petróleos da Venezuela em troca de contratos lucrativos, escreve a Bloomberg. Joseph DeMaria, um dos advogados da empresa, diz à agência desconhecer esta investigação, mas acrescenta que, a confirmar-se, trata-se de uma "caça à bruxas contínua" por parte das autoridades norte-americanas contra os seus clientes.



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