Américas Dilma: "A gritaria dos golpistas não vai me tirar do rumo nem pôr o nosso povo de joelhos"

Dilma: "A gritaria dos golpistas não vai me tirar do rumo nem pôr o nosso povo de joelhos"

A Presidente brasileira deu as boas vindas a Lula da Silva como ministro e fez um ataque cerrado à investigação judicial que "não respeita as garantias constitucionais" da presunção de inocência e direito à defesa.
Adriano Machado/Reuters Adriano Machado/Reuters Adriano Machado/Reuters Adriano Machado/Reuters

A Chefe de Estado brasileira fez esta quinta-feira, 17 de Março, um ataque cerrado à investigação judicial que pesa sobre o ex-Presidente Lula da Silva, criticando fortemente as práticas levadas a cabo nas últimas horas, como a divulgação de uma conversa telefónica entre os dois em que alegadamente Dilma Rousseff sugere que Lula ocupe o cargo de ministro da Casa Civil para se proteger das investigações.


"Só haverá justiça com respeito rigoroso da Constituição: a presunção de inocência e amplo direito de defesa de qualquer cidadão. Não há justiça quando delações são tornadas públicas de forma selectiva para execração de alguns investigados", afirmou a Presidente na intervenção no Palácio do Planalto, em Brasília, que se seguiu à tomada de posse de Lula da Silva.


Num discurso de 36 minutos (em que o primeiro terço foi destinado a dar as boas vindas aos novos membros do Executivo que entram com esta remodelação e o último dedicado a criticar a investigação a Lula), Dilma Rousseff condenou e prometeu apurar a responsabilidade pela divulgação das escutas, denunciando ainda a manipulação daquelas declarações.


"Investigações baseadas em grampos [escutas] ilegais não favorecem a democracia neste país. (…) Se se ferem prerrogativas da Presidência da República, o que farão com as prerrogativas dos cidadãos?", questionou,  numa intervenção frequentemente interrompida por aplausos em pé e por palavras de ordem da assistência, como "O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!", "A Rede Globo apoiou a ditadura" e "Não vai ter golpe!"


Sob o olhar do seu antecessor no cargo – que não falou publicamente na cerimónia -, Dilma alertou para o risco de "convulsionar a sociedade brasileira em cima de inverdades". Para depois avisar: "Os golpes começam assim" e garantir que "a gritaria dos golpistas não vai me tirar do rumo e não vai colocar o nosso povo de joelhos".


Sobre a vinda do "querido companheiro" Lula para o Governo, a Presidente disse tratar-se "do maior líder político desse país" e saudou a "grandeza do estadista e a humildade do verdadeiro líder" que levou o ex-Presidente a aceitar o cargo.


"Nós sempre estivemos juntos. Sempre estivemos do mesmo lado. Sempre lutámos pelos brasileiros. Pelos brasileiros nós estamos juntos outra vez", referiu, argumentando que no actual momento em que se impõe o rigor orçamental, o controlo da inflação e o combate ao desemprego não quer nem pode prescindir de ninguém.


"Neste momento temos de estar juntos pelo Brasil, eu, Lula, a nossa base social e até os opositores. Podemos todos agir em conjunto para resolver a crise económica", afirmou. 

Na sequência do discurso da presidente Dilma Rousseff, que acusou a justiça de estar a dar passos no sentido de um "golpe", a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público - CONAMP, entidade que congrega mais de 16mil Procuradores e Promotores de Justiça, emitiu um comunicado no qual manifesta "repúdio ao menosprezo e desrespeito com que autoridades se referiram às Instituições que são o alicerce do regime democrático, desqualificando procedimentos naturais a qualquer investigação e autorizados pela justiça, e à tentativa de driblar a punição aos ilícitos investigados".




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