Américas Dilma: "A vinda de Lula fortalece o meu governo"

Dilma: "A vinda de Lula fortalece o meu governo"

Tem experiência política. Preocupa-se com a economia. E o Supremo não é um tribunal inferior ao juiz Sérgio Moro. Dilma Rousseff defendeu, em conferência de imprensa, a entrada de Lula da Silva no Governo.
Dilma: "A vinda de Lula fortalece o meu governo"
Reuters
Alexandra Machado 16 de março de 2016 às 21:03

Lula da Silva "terá os poderes necessários". Lula da Silva teve dúvidas em aceitar o cargo. A decisão foi tomada terça-feira. Mudar a instância de investigação a Lula da Silva não é protegê-lo. Alexandre Tombini, presidente do Banco Central do Brasil, está mais dentro do que nunca. Mensagens que Dilma Rousseff enviou em conferência de imprensa esta quarta-feira, 16 de Março, na qual foi bombardeada pelos jornalistas brasileiros sobre esta ida de Lula da Silva para braço direito de Dilma Rousseff. E que realizou depois da confirmação oficial de que Lula da Silva é o novo chefe da Casa Civil.

A Presidente preferiu elogiar o ex-Presidente (a quem sempre foi chamando de Presidente), nomeadamente na componente económica. Mas assumiu: "O presidente Lula no meu governo terá os poderes necessários para me ajudar, mas sobretudo para ajudar o Brasil. Tudo o que ele poder fazer para ajudar o Brasil será feito".

Serão superpoderes? É disso que se tem falado, de um cargo que quase que fica com o mais alto cargo da nação, sem o ser. "Há seis anos que vocês tentam, porque tentam, me separar do Lula. A minha relação com Lula não é de poderes ou superpoderes, é uma sólida relação de quem constrói um projecto junto".

 

Dilma Rousseff, em pé, foi explicando que Lula da Silva é que teve dúvidas – "que foram integralmente superadas" - em aceitar o cargo, devido "ao confronto da oposição" sobre as razões que o levariam ao posto. Lula da Silva, ao ser nomeado ministro, fica a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal e já não sob o jugo de Sérgio Moro, o juiz "herói" da operação Lava Jato, que já levou à prisão de Marcelo Odebrecht e de Otávio Azevedo, respectivamente das construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez, duas das maiores empresas do país.

Esta mudança na instância de investigação é designada por foro privilegiado. "Se há prorrogativa de foro não é impedir a investigação, é fazê-la em determinada instância e não em outra", afirmou Dilma Rousseff, lançando a interrogação: "Em troco de quê vou achar que a investigação do juiz Sérgio Moro é melhor que a investigação do Supremo. É uma inversão de hierarquia. O judiciário brasileiro tem uma estrutura, a lei é clara. Ninguém foi investigado? Foi sim". E enumerou: deputados federais e senadores têm prorrogativa de foro e estão a ser investigados.

E partiu para o ataque: "Vamos falar verdade. A vinda do Lula fortalece o meu governo. Há gente que não quer que ele seja fortalecido". E chega ao Governo de Dilma "com capital político. Ele é um hábil articulador. Ele me deixa muito confortável. Estou muito feliz com a vinda dele", salientando, lembrando que trabalhou seis anos quotidianamente com Lula da Silva quando este era Presidente.

E elogiou a trajectória de Lula da Silva que, acrescentou, não pode ser "destruída deste modo". Há duas razões principais para a entrada no Governo de Lula, nas palavras da actual Presidente: a "inequívoca experiência política" e "o conhecimento sobre o país e o compromisso com políticas e visões estratégicas". É por isso que Dilma reforçou que "vai ser um grande ganho para o meu Governo".

Presidente do banco central de saída?

Ao longo do dia os jornais brasileiros foram questionando a continuidade de Alexandre Tombini, no Banco Central do Brasil, e de Nelson Barbosa, no Ministério da Fazenda. Também a estas notícias, Dilma Rousseff respondeu: "Estão mais dentro do que nunca". E voltou a reforçar a experiência económica de Lula de quem diz estar comprometido com a estabilidade fiscal ou controlo da inflação.

Considerou, ainda, como especulativas as notícias de que o Brasil poderia usar as reservas federais para realizar investimentos. "Tem coisas que estão um pouquinho acima do noticiário especulativo". As reservas, acrescentou, "servem para proteger o país em relação a flutuações externas". E ainda salientou que as reservas foram construídas "com grande esforço" nos governos de Lula e dela própria.

Um outro ex-Presidente já veio a público criticar a nomeação de Lula da Silva. Fernando Henrique Cardoso considerou esta situação de "escandalosa", dizendo, segundo cita a Globo, que a população precisa reagir. "Falando politicamente, acho que a sociedade precisa reagir energicamente contra, porque acho escandaloso uma pessoa ser ministro num momento em que pode virar réu num processo. Fica muito esquisito. Aumenta a crise moral". 




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