Américas Investidor português torce por Bolsonaro. "Do PT sabemos o que esperar e é péssimo"

Investidor português torce por Bolsonaro. "Do PT sabemos o que esperar e é péssimo"

O líder da Osvaldo Matos, que tem uma fábrica de luminárias e dois escritórios no Brasil, espera que o candidato favorito seja "uma surpresa positiva", rejeitando Haddad pelas "políticas económicas erradas" e corrupção.
Investidor português torce por Bolsonaro. "Do PT sabemos o que esperar e é péssimo"
Paulo Duarte
António Larguesa 26 de outubro de 2018 às 18:08

"Apesar do radicalismo anunciado" de Jair Bolsonaro, o empresário português Nuno Matos, que exporta e tem investimentos no mercado brasileiro há uma década, acredita que o candidato da extrema-direita "pode ser uma surpresa positiva". "Do PT e de [Fernando] Haddad sabemos o que esperar e é péssimo", contrapõe ao Negócios o administrador da Osvaldo Matos.

 

O líder desta empresa de iluminação, com sede em Vila Nova de Gaia, sublinha que o medo que tem destas eleições é o da vitória da esquerda, que defende o legado de Lula da Silva e de Dilma Rousseff . Porquê? "Significará mais um período de falta de confiança generalizada, de políticas económicas erradas, de descrédito internacional do Brasil, de continuidade da corrupção, de adiamento das reformas estruturais urgentes, como na educação, no sistema político e fiscal", responde.

 

A Osvaldo Matos tem uma unidade produtiva em Jundiaí, onde fabrica luminárias técnicas, e escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nos dez anos que leva do outro lado do Atlântico já aprendeu que a instabilidade, sobretudo no plano político, faz parte do "quotidiano". E só consegue traçar dois cenários: "Fechar os negócios ou continuar, aconteça o que acontecer". "De resto, muito alinhados com todo o tecido empresarial brasileiro, excepto com as empresas multinacionais, mais sensíveis a conjunturas adversas", acrescenta.

 

Para nós só existem dois cenários: fechar os negócios ou continuar, aconteça o que acontecer. De resto, muito alinhados com todo o tecido empresarial brasileiro, excepto com as multinacionais, mais sensíveis a conjunturas adversas. Nuno Matos, administrador da Osvaldo Matos

 

Criada pelo avô Osvaldo, em 1959, na área dos polímeros plásticos – fazia desde fichas de casinos a interiores de bobines para a indústria têxtil –, entrou na iluminação com o fabrico de difusores e depois de luminárias. O Tróia Design Hotel, o Dolce Vita Tejo, a sede da EDP no Porto, o estádio de Braga ou a nova igreja do Santuário de Fátima são exemplos de projectos "iluminados" pela empresa nortenha em Portugal.

 

Do templo da IURD à crise na construção

 

No Brasil, do portefólio de projectos desta exportadora para 14 países, que detém a marca própria O/M, faz parte o gigante e paulista Templo de Salomão – na altura valeu um contrato recorde de 10 milhões de euros –, que pertence à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que apoia Bolsonaro. E destaca-se também a iluminação, excepto a dos relvados, de quatro estádios que receberam jogos do Mundial de futebol em 2014: Maracanã, Arena Corinthians (conhecida como Itaquerão), Arena Pernambuco (Recife) e Arena das Dunas (Natal).

 

Recuando aos anos mais recentes, Nuno Matos confirma que a instabilidade política tem afectado os negócios da empresa, "sobretudo por via da retracção do investimento e da confiança" – em particular no sector da construção, a que está mais exposta. Olhando já para o dia seguinte, o empresário duvida que as eleições ponham fim ao clima de crise e de divisão no país. "São candidatos em extremos opostos, o que traduz a polarização da sociedade brasileira aos dias de hoje, e que se irá manter, independentemente do candidato que ganhar as eleições", conclui.

Por outro lado, o presidente da Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, Nuno Rebelo de Sousa, considera que "a maior preocupação, no curto prazo, é estabilidade cambial". Em entrevista ao Negócios, publicada esta sexta-feira, 26 de Outubro, o responsável sustenta também que as empresas portuguesas que estão há muitos anos no país já têm estruturas para lidar com estes eventos.




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