Américas Investidores estão a pedir 8% para voltar a emprestar à Argentina

Investidores estão a pedir 8% para voltar a emprestar à Argentina

Quinze anos depois, Buenos Aires voltou aos mercados e já recebeu as primeiras manifestações de interesse. Juro reclamado pelos investidores rondará os 8%.
Investidores estão a pedir 8% para voltar a emprestar à Argentina
Reuters
Eva Gaspar 12 de abril de 2016 às 18:21

Depois de ter estado década e meia arredada dos mercados obrigacionistas, a Argentina recebeu nesta semana as primeiras demonstrações de interesse em ordens de compra de títulos de dívida emitidos pelo seu Tesouro. A "yield", ou taxa de rendibilidade, reclamada pelos investidores oscilará entre 8% e 8,25% nas obrigações com maturidade a dez anos, noticia o Financial Times.


O apetite dos investidores está a ser testado pelo ministro das Finanças Luis Caputo no âmbito de um "roadshow" por praças norte-americanas, preparado por três dos maiores bancos do mundo: o Deutsche Bank (cuja sede na Argentina foi dirigida pelo próprio Caputo), o HSBC, o JPMorgan e o Santander.

A ronda pelos investidores norte-americanos terminará nesta sexta-feira e, ainda segundo o FT, as demonstrações de interesse tenderão a superar os 12,5 mil milhões de dólares que Buenos Aires quer levantar nos mercados para pagar dívidas do passado que levaram as autoridades do país a optar por declarar "default", ou incumprimento.

Em 2001, a Argentina deixou por pagar mais de 80 mil milhões de dólares, o maior "calote" soberano registado até então. O governo do recém-eleito presidente Mauricio Macri (na foto) quer agora tentar fechar acordos com vários grupos de detentores de obrigações argentinas. Em Fevereiro, chegou a entendimento com um grupo de "hedge funds" (fundos especializados em aplicações de maior risco) liderado pela Elliott Management, o que abriu caminho para o retorno do país aos mercados internacionais de dívida. No termos desse entendimento, a Argentina pagará aos credores 4,65 mil milhões de dólares até esta quinta-feira, 14 de Abril – prazo que dificilmente cumprirá. Um novo encontro entre as partes está marcado para esta quarta-feira,13 de Abril, Nova York.

Mauricio Macri foi eleito presidente da Argentina no final de Novembro de 2015. E a sua eleição colocou um ponto final a 12 anos de presidência do clã Kirchner e uma viragem radical na condução do país. A 31 de Março, o Senado argentino deu luz verde ao pagamento aos credores estrangeiros. As leis que o impediam vigoravam há 15 anos.




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