Américas Lula: "Não gostaria que tivesse existido" corrupção

Lula: "Não gostaria que tivesse existido" corrupção

Em entrevista à televisão pública espanhola, o ex-Presidente brasileiro evita falar de "arrependimento" quando questionado sobre os casos de corrupção que salpicaram o seu partido.
Lula: "Não gostaria que tivesse existido" corrupção
Ueslei Marcelino/Reuters
Negócios 21 de maio de 2016 às 21:41
Lula da Silva recusou este sábado utilizar a palavra arrependimento para reagir aos casos de corrupção que envolveram membros do seu partido e acusou a imprensa de o condenar na praça pública antes mesmo da justiça.

"Não é que eu me arrependo, não gostaria que [a corrupção] tivesse existido", disse esta noite o ex-Presidente brasileiro  em entrevista ao programa Informe Semanal no primeiro canal da televisão estatal espanhola (RTVE) - de que a estação só divulgou um fragmento no seu site.

A TVE refere que, ao longo da entrevista, Lula dá mostras de não pretender deixar a vida política e ainda que demonstra pouca autocrítica face aos casos de corrupção que salpicam o seu partido, o PT, criticando a forma como diz ser tratado pela comunicação social: "Você já está condenado pelas manchetes da imprensa, já está condenado pelos noticiários", afirma.

O ex-Presidente, refere o canal de televisão, esforça-se também por fazer ressaltar a sua acção política nos dois mandatos em Brasília, nomeadamente junto das classes mais pobres.

"O rico não precisa do Estado. A classe média precisa menos do Estado. Quem precisa do Estado são as pessoas pobres. É para esses que a gente tem que governar. Eu acho que essa foi a coisa mais importante da minha vida: saber de onde eu tinha vindo, e saber para onde eu ia voltar", afirma.

Numa altura em que a sua sucessora Dilma Rousseff está suspensa das funções de Presidente do Brasil por 180 dias a aguardar os trâmites do processo de destituição no Senado e que o próprio nome de Lula e de familiares seus tem sido envolvido na investigação dos casos de corrupção ou favorecimento, o antigo Presidente deixa a garantia de que vai continuar a bater-se na praça pública.

"Eu sou filho de uma mulher que morreu analfabeta. Ela dizia para mim: nunca baixe a cabeça. Se você baixar a cabeça, você não levanta mais", conta.



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