Américas Raúl Castro exige devolução de Guantánamo e pede a lista de presos políticos

Raúl Castro exige devolução de Guantánamo e pede a lista de presos políticos

O presidente de Cuba e o presidente americano estiveram reunidos durante várias horas para tentar avançar acordos comerciais entre os dois países e normalizar as relações bilaterais. O presidente cubano salienta que nenhum país cumpre todos os direitos humanos.
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Bruno Simões 21 de março de 2016 às 19:13

Raúl Castro exigiu esta segunda-feira, após uma reunião de várias horas com Barack Obama, que está de visita a Cuba, a devolução do território "ilegalmente ocupado" de Guantánamo, onde os Estados Unidos têm uma base militar.

O presidente cubano também desdramatizou o desrespeito pelos direitos humanos em Cuba. Chegou a pedir a um jornalista americano uma lista dos presos políticos. E também disse que existem 61 instrumentos internacionais que avaliam o cumprimento dos direitos humanos – e que nenhum país os cumpre a todos.

Os dois presidentes deram uma conferência de imprensa no final da reunião desta segunda-feira, e Raúl Castro respondeu directamente às perguntas de jornalistas americanos. Sobre Guantánamo, o presidente americano não disse uma palavra.

 

A primeira pergunta a Raúl Castro foi feita por um jornalista americano descendente de cubanos. "Por que é que tem prisioneiros políticos e por que não os solta?", questionou. O presidente cubano não gostou. "Dê-me a lista dos presos políticos agora, para eu os soltar. Dê-me os nomes, se forem presos políticos vão ser soltos antes do fim da tarde", atirou.

 

Mais à frente, novamente questionado sobre o assunto por uma jornalista norte-americana, Castro explicou que nenhum país cumpre os direitos humanos na totalidade. E Cuba cumpre alguns direitos que os EUA não cumprem, defende. "Quantos países do mundo cumprem todos os direitos humanos no seu conjunto? Que país os cumpre todos? Sabe? Eu sei. Nenhum. Uns cumprem uns, outros cumprem outros", justificou.

 

Castro lembrava que existem 61 instrumentos internacionais que atestam o cumprimento dos direitos humanos. "Cuba cumpre 47. Outros cumprem mais, outros menos. Não se pode politizar esse tema. Não é correcto. Senão continuamos na mesma", pediu. E deixou exemplos: "para Cuba, que não cumpre todos, o direito à saúde é o direito mais sagrado" – uma crítica aos Estados Unidos. Também o direito a um ensino gratuito é imagem de marca em Cuba, defendeu.

 

Obama: embargo vai acabar, só não se sabe quando

Barack Obama afirmou que Cuba "não é uma ameaça" para os Estados Unidos, embora tenha insistido que o currículo em direitos humanos não é famoso. "O que disse ao presidente Castro foi que estamos a avançar em frente e não a olhar para trás. Não vemos Cuba como uma ameaça aos EUA e vamos iniciar um novo capítulo, mas tal como acontece com outros países com os quais temos relações normais, vamos continuar a insistir em princípios básicos em que acreditamos", como "democracia ou liberdade de expressão".

 

O fim do embargo poderá ser acelerado se Cuba melhorar a sua prestação nos direitos humanos. "O embargo vai acabar. Quando, não tenho a certeza absoluta, mas acredito que vai acabar e o caminho em que estamos vai continuar mesmo depois de mim. A razão é: o que fizemos em 50 anos não serviu o nosso interesse nem o de Cuba. Se continuamos a fazer o mesmo durante 50 anos e não funciona, talvez faça sentido experimentar algo novo", defendeu.

 

Eliminar o embargo "exige a maioria dos membros do Congresso e mais do que a maioria do Senado", notou. Mas há "duas coisas" que vão ajudar. A primeira "é o facto de podermos aproveitar as mudanças que já estão em curso. Isso ajuda a validar esta mudança de política", referiu, lembrando que as empresas americanas vão poder construir a infraestrutura de internet e banda larga em Cuba, o que vai ajudar a melhorar as relações comerciais entre os dois países.

 

A segunda são os direitos humanos. "As pessoas continuam preocupadas com isso dentro de Cuba. Não se esqueçam que tenho grandes discordâncias com a China no que toca a isso, com o Vietname também. A abordagem que adoptei foi de ser claro quanto a isso, mas estar consciente de que não podemos forçar as mudanças, elas têm que vir de dentro. Isso será produtivo", antecipa.

 

"Tenho fé nas pessoas. Se os cubanos interagirem com americanos, vão reconhecer que as pessoas são pessoas. Nesse contexto, acredito que vai haver mudanças", declarou.


Notícia actualizada com mais informação às 19:27




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