Américas Procuradoria do Brasil pede investigação de Lula, Aécio e Temer. Dilma pode ser a seguinte

Procuradoria do Brasil pede investigação de Lula, Aécio e Temer. Dilma pode ser a seguinte

Um senador do PT apontou o dedo acusador para o topo da elite política brasileira. Lula é o mais visado e a hipótese de refúgio no governo fica agora mais comprometida, mas quase ninguém escapa às denúncias.
Procuradoria do Brasil pede investigação de Lula, Aécio e Temer. Dilma pode ser a seguinte
Ueslei Marcelino/Reuters
Eva Gaspar 16 de março de 2016 às 12:11

A aprovação pela justiça da "delação premiada" do senador do PT Delcídio Amaral promete dar mais força ao processo de destituição que corre contra a presidente Dilma Rousseff, comprometer decididamente as ambições políticas de Lula da Silva de regressar ao Palácio do Planalto e provocar uma razia nas lideranças dos principais partidos políticos do país: PT e PMDB (ambos no governo), mas também PSDB, o maior da oposição.

Segundo escreve o jornal O Globo, com base nas denúncias de Delcídio homologadas nesta terça-feira, a Procuradoria-geral da República (PGR), dirigida por Rodrigo Janot, decidiu pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura formal de uma nova linha de investigação da conduta Lula da Silva. Em causa estão suspeitas de diversos crimes, designadamente de obstrução à justiça, mediante tráfico de influências e compra de votos no Senado para proteger os seus filhos da comissão parlamentar que averiguava suspeitas de evasão fiscal, e para tentar evitar que a operação Lava Jato chegasse a si (Lula terá querido comprar o silêncio de Nestor Cerveró, antigo dirigente da Petrobras que, tal como Delcídio, concordou cooperar com a justiça a troco de redução de pena).
 

Esta será a terceira linha de investigação sobre Lula. O ex-presidente do Brasil e fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) já está a ser investigado pelo juiz Sérgio Moro que, a partir de Curitiba, tenta deslindar a rede de corrupção centrada na Petrobras no âmbito da operação Lava Jato, e pelo Ministério Público de São Paulo por alegada ocultação de património no caso de triplex.

Lula no governo? 

A ideia de integrar o governo de Dilma - amplamente interpretada como uma manobra de Lula para fugir de Sérgio Moro, o juiz que esteve por detrás da detenção e condenação de alguns dos maiores empresários do Brasil, como Marcelo Odebrecht - estará entretanto congelada devido a denúncias de que o governo tem estado a tentar condicionar o Supremo Tribunal Federal (STF). É a esta instância que respondem os membros do Executivo acusados de prevaricação. Caso Lula passe a ministro de Dilma beneficiará, assim, de "foro privilegiado" e serão os 11 juízes do STF a julgá-lo, sendo que oito dos actuais integrantes, incluindo o seu presidente Ricardo Lewandowski, foram nomeados pelos governos de Lula e Dilma - apenas três (Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Celso de Mello) estão em funções tendo sido indicados por governos anteriores aos do PT.

A ida de Lula para ministro está ainda a ser directamente desafiada como manobra de "obstrução à justiça" pelos líderes dos partidos da oposição na Câmara dos Deputados que entraram esta terça-feira com uma acção popular conjunta em cada um dos Tribunais Federais dos 27 Estados do Brasil. A iniciativa foi anunciada na presença de líderes de mais de 40 movimentos populares, como o Vem pra Rua, o Revoltados Online e o Avança, Brasil, que organizaram as manifestações do passado domingo contra a corrupção, as maiores da história do Brasil, que terão levado para as ruas mais de três milhões de brasileiros.


Vice-presidente e líder do maior partido da oposição entre os visados

Com base nos relatos e nas provas apresentadas por Delcídio – que entretanto se desfiliou do PT, Partido dos Trabalhadores -, a PGR decidiu ainda pedir que seja investigada a conduta de Eloízio Mercadante, ministro da Educação de Dilma que terá tentado comprar o silêncio de Delcídio, havendo gravações que sustentam essa possibilidade.

Visados são também Michel Temer, vice-presidente do Brasil e presidente do PMDB, aliado de Dilma no governo, suspeito de cumplicidade na montagem da rede de corrupção que explicará as perdas astronómicas na Petrobras, hoje a empresa mais endividada do mundo que, há duas semanas, fechou um empréstimo de 10 mil milhões de dólares com o China Development Bank. Visado é ainda Aécio Neves, líder do PSDB, o maior partido da oposição fundado por Fernando Henrique Cardoso, que perdeu para Dilma as eleições presidenciais de 2014 por uma unha negra. O hoje senador é acusado por Delcídio de ter beneficiado de "luvas" em 2005 a partir de um esquema de corrupção montado na hidroeléctrica de Furnas, empresa do universo Petrobras.

A PGR só ainda não terá decidido o que fazer com as denúncias sobre a Presidente da República, contra quem corre um processo de "impeachment" por maquilhagem das contas públicas e violação dos devedores de gestora durante os dez anos em que, antes de assumir a presidência do país, presidiu à Petrobras.

Num dos depoimentos da delação premiada, Delcídio acusou Dilma de ter nomeado o juiz Marcelo Navarro para o Supremo Tribunal de Justiça com a missão de soltar Marcelo Odebrecht, da construtora com o mesmo nome, e Otávio Azevedo, da construtora Andrade Gutierrez, dois dos principais executivos acusados de envolvimento com a corrupção na Petrobras. "O senador mencionou uma conversa que teria tido com a Presidente sobre o assunto nos jardins do Palácio da Alvorada, mas não ofereceu provas para amparar a acusação. Caberá agora aos procuradores analisar se as informações disponíveis são suficientes para sustentar um pedido de investigação sobre Dilma", explica O Globo.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI