Américas Depois do vírus, Tata admite renomear carro que apelidou de Zica

Depois do vírus, Tata admite renomear carro que apelidou de Zica

A fabricante indiana de automóveis apresenta esta semana o seu novo modelo. O nome, decidido há meses, coincide com o do vírus que está a assustar o mundo e que tem sido associado a milhares de casos de microcefalia em bebés.
Depois do vírus, Tata admite renomear carro que apelidou de Zica
Reuters
Ana Serafim 01 de fevereiro de 2016 às 16:54

A Tata Motors poderá vir a mudar o nome do seu mais recente modelo, o Zica, devido à proliferação do vírus com a mesma denominação, que se suspeita ser o causador de milhares de casos de microcefalia em bebés, sobretudo no Brasil e Colômbia.

"A decisão quanto ao nome do nosso carro surgiu há muitos meses, quando não podíamos adivinhar nenhum dos recentes acontecimentos. Face aos desenvolvimentos actuais, estamos a avaliar a situação. Mas ainda não temos um calendário sobre quando poderá ser anunciada uma decisão", explicou uma porta-voz da fabricante automóvel indiana esta segunda-feira, 1 de Fevereiro, ao The Guardian.

A ideia do nome Zica era associar as palavras zippy, que significa ‘enérgico, cheio de energia’ em inglês com 'car' (carro). Porém, agora, é inevitável a associação com o vírus zika, causado pela picada de mosquitos infectados e que já foi detectado em mais de 20 países das Américas.


A possibilidade de vir a alterar o nome do novo modelo de automóvel surge poucas semanas depois de ter sido lançada uma enorme campanha de marketing para o promover, que inclui anúncios com o futebolista Lionel Messi, embaixador da marca.

Esta semana, está previsto que o veículo – cujas primeiras imagens foram divulgadas no final de Novembro – seja oficialmente apresentado na feira automóvel de Nova Delhi, na Índia.

Corrida para desenvolver vacina

Chega ao mercado na mesma altura em que a designação zika está a assustar o mundo. No Brasil, estima-se que até 1,5 milhões de pessoas possam ter sido afectadas pelo vírus, que tem sido relacionado com os mais de 4.000 casos de microcefalia e deficiências cerebrais em recém-nascidos, devido à infecção das mães durante a gravidez.

A Colômbia também já contabilizou mais de 20 mil casos, dos quais mais de 2.000 em grávidas. O perigo do vírus está no facto de em 60% a 80% dos casos não ter sintomas, pelo que as mães não sabem que foram infectadas.

Esta segunda-feira, aguarda-se que, depois de uma reunião de emergência, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decida quanto à declaração do zika como um problema de saúde mundial e divulgue coordenadas para o combater.

Na semana passada, a OMS alertava que o vírus estava a "propagar-se de forma explosiva. E antecipava que poderia estender-se a quatro milhões de pessoas nas Américas, motivo pelo qual poderá agora decretar medidas adicionais com vista a estimular a investigação e o desenvolvimento de vacinas e tratamentos.

Também os centros de investigação e as farmacêuticas estão a trabalhar para encontrar terapêuticas adequadas. A farmacêutica GlaxoSmithKline admitiu estar a concluir estudos de viabilidade para perceber se poderá aplicar ao zika alguma da tecnologia de vacinas que já tem, uma vez que é provocado pelo mesmo mosquito que gera a dengue.

Segundo a Reuters, um consórcio que inclui a Inovio Pharmaceuticals também poderá ter uma vacina pronta até ao final do ano, antecipando que o ensaio em humanos poderia começar em Agosto. De acordo com a mesma fonte, também a Hawaii Biotech indicou ter iniciado um programa formal no Outono passado para testar uma vacina contra o zika. Já o Replikins, um laboratório privado baseado em Boston, EUA, adiantou estar em condições de arrancar com testes em animais nos próximos dias.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff – que no final da semana passada falou com o presidente dos EUA, Barack Obama, para os dois países unirem esforços contra o zika - veio entretanto anunciar que os testes para desenvolver a vacina deverão começar na próxima semana no Instituto Butantan, em São Paulo, um centro pioneiro na investigação biomédica.

Em Portugal, até agora foram detectados seis casos de zika, todos em pessoas vindas do Brasil. As autoridades de saúde nacionais têm alertado que nunca foram detectados mosquitos infectados em Portugal continental. Na Madeira já foi encontrado o tipo de mosquito que transmite o vírus, mas não estava infectado e por isso não há risco de transmissão da doença.

(notícia alterada às 17:23 com alteração do modelo do carro para Zica)




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