Américas Visita oficial ao México revelou as fraquezas destes eventos

Visita oficial ao México revelou as fraquezas destes eventos

As empresas precisam de se preparar melhor quando querem estreitar ligações noutros mercados. Esta é a principal crítica deixada às empresas. Do lado contrário está a pouca visibilidade de Portugal e o facto de as grandes empresas ofuscarem as pequenas e médias empresas.
Visita oficial ao México revelou as fraquezas destes eventos
Negócios 11 de novembro de 2014 às 18:15

A visita oficial do Executivo português ao país asteca terminou no passado 29 de Outubro. A missão diplomático-comercial foi liderada pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, que se deslocou ao México acompanhado pelo ministro da Economia, António Pires de Lima, e responsáveis de 50 empresas.

 

Nesta ocasião, a delegação lusa esteve integrada por um contingente empresarial constituído por cerca de meia centena de empresas portuguesas, que actuam sobretudo na área das tecnologias, como a WeDo Technologies, a JP Sá Couto e a Vortal, mas também de outros sectores empresariais, como o grupo energético EDP, a Efacec, o Grupo Lena, a OGMA, a Simoldes, a Dexprom, e outras do sector bancário, como o Banco BPI ou o Montepio. Também tiveram representação instituições académicas como Universidade do Porto e a Universidade Aberta.

 

Além do contrato conseguido pelo grupo Mota-Engil, por valor de 1.200 mil milhões de euros, e que foi o resultado de conversas prévias à visita, foram firmados durante a missão mais outros quatro contratos que ascendem a mais de 2.400 milhões de euros o valor dos contratos assinados no México.

 

A visita surgiu como uma oportunidade para estreitar as relações comerciais entre ambos os países, que actualmente conta com cerca de 120 empresas portuguesas que mantêm relações comerciais com o país latino-americano. Mas como se salientou nesta terça-feira, 11 de Novembro, num debate promovido pela Casa de América Latina, a visita apresentou lacunas e fraquezas que devem de ser limadas em futuras missões.

 

Foi precisamente este ponto que reuniu maior consenso entre os convidados do colóquio, que sublinharam a falta de trabalho de investigação e planificação prévio. Nesta linha, representantes de instituições como a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CIEP) ou a Fundação AIP, salientaram que um dos maiores erros das empresas do nosso país na hora da sua internacionalização é não aproveitarem bem este tipo de visitas oficiais e que, na maioria dos casos, não desenvolvem posteriormente os contactos adquiridos com as instituições e empresas receptoras.

 

Igualmente, não ajuda à internacionalização das empresas portuguesas o "desconhecimento que existe no mundo da marca Portugal", facto que para o porta-voz da CIEP, Pedro Magalhães, "ficou muito patenteado na visita" ao México.

 

Por outro lado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a própria Embaixada do México em Portugal advertem que as empresas têm de "fazer o seu trabalho" e não esperar que os órgãos públicos "façam todo o trabalho por eles". Neste contexto a responsável pelos assuntos económicos e comerciais da Embaixada do México em Lisboa, Laura Garzón, declarou: "quem quer vender tem de saber o que quer e como o quer vender", "não há cultura de negócios (…) [os empresários] têm de ser mais empreendedores" sentenciou.  

 

Nesta linha, foram lançadas recomendações para melhorar este tipo de missões diplomático-económicas para as tornar mais frutíferas. Os convidados lamentaram-se de que as chamadas "empresas porta-aviões", ou seja, as grandes companhias, eclipsem as pequenas e médias empresas, que costumam ser as que mais ajudas precisam para encontrar um espaço nos novos mercados. Perante este problema, Florbela Cunha, directora de negócios do Montepio, aconselha fazer reuniões divididas pelas dimensões das empresas, separando as grandes das pequenas e médias.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI