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600 anos depois, um Papa abdica

Em 1415, o Papa Gregório XII abdicou do mais elevado cargo dentro da Igreja Católica. Quase 600 anos depois, Bento XVI toma a mesma decisão.

Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 11 de Fevereiro de 2013 às 16:08
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Em 1415, o Papa Gregório XII renunciou ao mais elevado cargo da Igreja Católica. Foi o último Papa a fazê-lo. Até Bento XVI ter anunciado, esta segunda-feira, retirar-se do cargo de chefe da Igreja Católica Romana.

 

Em 1406, Gregório XII foi eleito Sumo Pontífice tendo, naquela altura, quase oitenta anos. Quase oito anos depois, em 1415, decide afastar-se e abdicar, morrendo dois anos depois.

 

Bento XVI, por sua vez, tinha 78 anos quando foi eleito Papa (sucedeu a João Paulo II, que foi chefe da Igreja Católica durante mais de 25 anos) e tal como Gregório XII teve um papado não muito longo. Ainda assim, com algumas controvérsias pelo caminho, que versaram temas como a homossexualidade e o aborto.

 

Em 2005, segundo o “El País”, ano em que foi eleito, o Papa proibiu a entrada de homossexuais nos seminários e nas ordens sagradas. Em 2006, num discurso numa

 
Polémica marca legado de Bento XVI
O actual Papa viu-se envolvido em várias polémicas desde que foi eleito, em 2005. Homossexualidade, aborto e críticas a Maomé foram alguns dos exemplos.

universidade alemã, Bento XVI, citou um texto de um imperador bizantino, para dizer que o profeta Maomé só trouxe “maldade e desumanidade”. Estas palavras provocaram tumultos no mundo muçulmano, fazendo com que o Papa, alguns dias depois, tenha pedido desculpa. No ano seguinte, em 2007, numa viagem ao Brasil, o Papa, ainda em pleno voo, ameaçou excomungar os políticos que defendessem o direito ao aborto. Em Maio de 2011, decide beatificar João Paulo II e, em 2012, o mordomo do Papa é detido por roubar a correspondência secreta do Papa.

 

Atribuindo a sua renúncia à falta de forças para liderar os católicos num mundo como o actual, Bento XVI abdica assim ao fim de quase oito anos com chefe máximo da Igreja Católica Romana.

 

Líderes europeus surpreendidos

 

A notícia apanhou de surpresa os principais líderes europeus. Mario Monti, ainda primeiro-ministro italiano, disse estar “muito abalado por esta notícia inesperada”.

 

Já David Cameron, primeiro-ministro britânico (no Reino Unido predomina o anglicanismo, no qual a Rainha é a chefe da Igreja) desejou felicidades a Joseph Ratzinger. Cameron sustentou ainda que os cristãos vão sentir a falta de Bento XVI como líder espiritual, de acordo com a Bloomberg.

 

A chanceler alemã, Angela Merkel, por sua vez, preferiu destacar que a decisão do Papa merece muito “respeito”. “Se o Papa, depois de ter reflectido, chegou à conclusão que já não tinha forças para continuar com os seus deveres, [esta decisão] tem o meu maior respeito”, afirmou Merkel.

 

François Hollande, presidente da França, foi parco em comentários sobre a renúncia de Bento XVI. "Não me compete a mim fazer comentários sobre esta decisão que pertence à Igreja. Não tenho que dizer se está bem. É uma decisão que reflecte uma vontade que tem de ser respeitada", afirmou François Hollande, citado pela Lusa.

 

Como é escolhido um Papa?

 

Os Papas são escolhidos pelo Colégio dos Cardeais, que é composto pelos mais altos funcionários da Igreja, habitualmente nomeados pelo actual Pontífice. Actualmente há 203 cardeais no Colégio, oriundos de 69 países, escreve a BBC.

 

A discussão que antecede a eleição dos Sumo Pontífices é secreta, assim como a eleição do mesmo. Esta é uma eleição que pode demorar vários dias. A partir do

 
Novo Papa pode vir fora da Europa
Os nomes que têm sido apontados como potenciais sucessores de Bento XVI provêm de fora da Europa. Há quem aponte mesmo para a possibilidade do Vaticano poder ser liderado, pela primeira vez na história, por um africano.

momento em que o conclave tem início, os cardeais não podem ter contacto com o resto mundo. Por isso, as refeições, as votações e o período de descanso ficam restritos a áreas fechadas e preparadas para esse efeito até que o novo Papa seja escolhido.

 

Os favoritos

 

Os nomes referidos pela imprensa internacional são vários. Mas dois dos que mais surgem são os de Peter Turkson, do Gana, e Francis Arinze, da Nigéria. Se um destes dois cardeais for eleito será, provavelmente, o primeiro Papa negro.

 

Um outro nome que surge com frequência é o de Marc Ouellet, antigo Bispo do Quebec e perfeito da Congressão dos Bispos.

 

Além dos dois cardeais africanos, escreve o “The Telegraph”, os cardeais da América Latina são também apontados com possíveis sucessores de Joseph Ratzinger. Outros nomes indicador são: Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo (Brasil), Leonardo Sandri (de origem italiana e argentina) que dirige actualmente o Departamento das Igrejas Orientais, e João Braz de Aviz, brasileiro, que é considerado por muitos como uma lufada de ar fresco no Departamento das Congregações Religiosas do Vaticano, escreve a mesma fonte.

 

O Vaticano pode assim vir a eleger um Papa que não seja oriundo da Europa (João Paulo II era polaco e Bento XVI alemão). Se isto vier a acontecer será o primeiro em várias décadas.

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