Mundo A cor de pele condiciona a probabilidade de vir a ser milionário nos EUA

A cor de pele condiciona a probabilidade de vir a ser milionário nos EUA

A raça continua a ser um factor determinante na sociedade norte-americana, mostra um estudo da Reserva Federal de St. Louis, que conclui que os hispânicos e negros têm muito menos probabilidades de serem milionários do que os asiáticos e os brancos nos EUA.
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Inês F. Alves 25 de janeiro de 2016 às 20:30

O sonho americano pode ser para todos, mas a probabilidade de o concretizar varia consoante a idade, a educação, mas sobretudo a raça. É pelo menos esta a conclusão de um estudo da Reserva Federal de St. Louis, desafiada pela Bloomberg para calcular a probabilidade de um americano se tornar milionário com base nestes três factores.

"É uma falsa narrativa dizer que a raça não importa nos Estados Unidos", diz William Emmons, investigador e conselheiro económico da Reserva Federal de St. Louis, que levou a cabo este estudo, acompanhado de Bryan Noeth e Lowell Ricketts. "Isto é visível nos resultados que obtemos", acrescentou.

As probabilidades de um norte-americano ser milionário variam significativamente consoante a sua raça, mesmo quando estes têm mais ou menos a mesma idade e o mesmo grau de escolaridade.

Segundo este estudo, enquanto um indivíduo asiático ou branco com educação superior e com idade entre os 40 e os 60 anos tem uma probabilidade de 1 para 5 de ser milionário, no caso de um hispânico a probabilidade diminui para 1 em cada 15, e no caso dos negros a probabilidade é de 1 para 16.

Assim sendo, há 22,3% de hipóteses de um asiático ser milionário, 21,5% no caso de um indivíduo branco, 6,8% no caso de um hispânico e, por fim, 6,4% no caso de um negro.

Para obter estas informações, os investigadores analisaram dados de quase 12.500 famílias referentes a 2010 e 2013, obtidos através do inquérito sobre as finanças dos consumidores da Reserva Federal.

Segundo esta análise, a educação é algo que beneficia pessoas de todas as raças e grupos étnicos, no entanto, é um impulsionador maior para asiáticos e brancos do que para hispânicos e negros, escreve a Bloomberg.

A probabilidade de um negro se tornar milionário é de menos de 1% se este não completar o ensino secundário e de 6,7% caso obtenha um curso superior.

Por outro lado, um branco tem 1,7% de probabilidade de vir a ter um valor líquido superior a 1 milhão de dólares sem completar o ensino secundário, sendo que a probabilidade aumenta para 37% caso tenha um curso superior.

Mais. Se a probabilidade de um negro conseguir ser milionário com um curso superior é de 6,7%, a probabilidade de um branco o conseguir com o secundário é de 4,4%.

Ou seja, além de não haver grande margem de progressão para um indivíduo negro, o facto de este ter um curso superior não lhe dá muito mais probabilidades de ser milionário do que um indivíduo branco com o ensino secundário.

A idade é também um dos factores a considerar, sendo que a probabilidade de se ser milionário aumenta consoante a idade. Todavia, há diferenças significativas entre indivíduos de diferentes raças.

As probabilidades de um indivíduo asiático com menos de 40 anos ser milionário são de 2,4%, e aumentam para 21% à medida que este se aproxima da reforma. No caso de um branco, a progressão é de 2,1% com menos de 40 anos, para 19% com 62 anos ou mais.

Já para hispânicos e negros a diferença é muito inferior. Para os primeiros, a probabilidade de serem milionários com menos de 40 anos é inferior a 1% a aumenta para 2,3% quando se aproximam da idade da reforma. Para os negros o ponto de partida é semelhante, mas a probabilidade de serem milionários com 62 anos ou mais não chega aos 2%.

Há uma narrativa nos EUA de que "o ponto de partida é igual para todos", diz Emmons, mas "os resultados que continuamos a obter sugerem que isso é difícil de imaginar", conclui.

Victoria Stilwell comenta os resultados deste estudo no programa "Bloomberg Markets":

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