Angola Angola. Um pedido de ajuda que surge depois de um choque petrolífero e financeiro

Angola. Um pedido de ajuda que surge depois de um choque petrolífero e financeiro

Angola solicitou um programa de assistência económica e financeira ao FMI. Um pedido que surge na consequência da queda acentuada do petróleo e de outros acontecimentos. Veja o retrato da economia angolana.
Angola. Um pedido de ajuda que surge depois de um choque petrolífero e financeiro
Reuters
Nuno Aguiar 06 de abril de 2016 às 15:15

A palanca negra gigante chega a pesar mais de 200 quilos. Mas até um animal possante como este se pode deixar encurralar entre as garras de um leão e a espingarda de um caçador furtivo. Angola, que teve um crescimento económico fulgurante nos últimos anos, também se deixou encurralar entre uma quebra inesperada do preço do petróleo e o surgimento de dificuldades financeiras graves na economia chinesa.


Chegou a temer-se que a palanca negra estivesse extinta, mas há poucos mais de dez anos descobriu-se que não. Pode a economia angolana recuperar da mesma forma?

Os últimos anos foram marcados pelo estreitar das relações comerciais entre Lisboa, Luanda e Pequim. China transferia liquidez para Angola e ambos investiam em Portugal. Um triângulo que parece agora estar ameaçado.

De um preço superior a 100 dólares, o barril de crude é agora vendido a um valor que ronda os 35 dólares. Foram péssimas notícias para o Governo angolano que, em 2012, dependia das receitas petrolíferas para 81% de toda a sua receita. Em 2015, essa percentagem tinha recuado para pouco mais de metade.

Ao mesmo tempo, a crise chinesa aprofunda as dificuldades, uma vez que a China era o principal cliente para as mercadorias angolanas (Angola é o segundo maior fornecedor de petróleo à China). O recuo das importações chinesas deverá afectar directamente Luanda. 

A Reuters escrevia no Verão do ano passado que a China já tinha emprestado mais de 20 mil milhões de dólares a Angola desde o fim da Guerra Civil, em 2002. As amortizações destes empréstimos iam muitas vezes directamente para empresas chinesas de construção a operar em Angola. Existem 450 empresas chinesas no país africano, 50 das quais são públicas. Todas juntas representam 46% do total investido por estrangeiros em Angola no arranque de 2015. Há três anos, havia também 259 mil chineses a viver em Angola.

"A China apresenta-se actualmente como o principal parceiro comercial de Angola, e no último ano o total de relações entre os dois países ascendeu a 30,5 mil milhões de dólares", explica uma nota do BPI. "A travagem do investimento chinês poderia ser penalizadora para Angola, mas o esforço de cooperação oficial entre os dois países sugere que as autoridades estão empenhadas em contornar esta situação." 

Ainda assim, esta dupla crise já está a reflectir-se no crescimento de Angola. Em 2013, a economia cresceu 6,8%, tendo desacelerado para 3,5% em 2015, um valor baixo para uma economia em desenvolvimento com grandes necessidades de infra-estruturas. Para 2016, antecipa-se a mesma variação do PIB.


Depois de excedentes orçamentais relevantes entre 2010 e 2012, o défice orçamental deverá ter atingido os 3,5% do PIB em 2015. Angola já começou a negociar empréstimos com o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento. Algum do financiamento pode ter contrapartidas. Há três meses, o FMI já apresentou um conjunto de medidas que diz serem necessárias. Entre elas, está reduzir o dinheiro gasto com salários de funcionários públicos, introdução de um imposto como o IVA, eliminar os subsídios para a compra de combustível acompanhada por apoios aos mais pobres.

 

(Esta notícia é uma readaptação de um artigo publicado a 29 de Fevereiro no Negócios)




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