Mundo António Guterres é o novo secretário-geral da ONU

António Guterres é o novo secretário-geral da ONU

António Guterres será o próximo secretário-geral da ONU, depois de não ter recebido qualquer “chumbo” dos cinco estados com poder de veto, naquela que foi a sexta votação, revela a Reuters, com base em fontes diplomáticas.
António Guterres é o novo secretário-geral da ONU
Miguel Baltazar/Negócios
David Santiago 05 de outubro de 2016 às 16:32

António Guterres está prestes a tornar-se o próximo secretário-geral da ONU, depois de não ter recebido qualquer "chumbo" dos cinco estados com poder de veto no Conselho de Segurança (CS), naquela que foi a sexta votação informal. Guterres obteve 13 votos de "encorajamento", dois votos "sem opinião" e nenhum de "desencorajamento".

Para que Guterres seja formalmente recomendado à Assembleia Geral da ONU para novo secretário-geral, precisa de ser adoptada uma resolução - após votação formal (a primeira deste processo e provavelmente a única) - nesse sentido por parte do CS. Para que tal se verifique, é preciso que pelo menos nove dos 15 membros (cinco permanentes e 10 rotativos) votem a favor do português, sem que nenhum dos países com direito de veto (Estados Unidos, China, Rússia, França e Inglaterra) exerça esse poder. 

O jornalista norueguês, Mathias Ask, colocou no seu Twitter o vídeo onde se vê o anúncio oficial. 


O ex-Alto Comissário do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) venceu esta quarta-feira a sexta votação informal consecutiva (num total de seis realizadas, e na primeira em que participou a búlgara Kristalina Georgieva). De acordo com o jornal Washington Post, o próprio Conselho de Segurança confirmou que Guterres foi escolhido por unanimidade para exercer o cargo de secretário-geral da instituição. 

Guterres é, assim, oficiosamente o novo secretário-geral das Nações Unidas. Falta ser oficialmente. O nome do português será recomendado à Assembleia Geral da organização, que deverá aclamá-lo líder da ONU. Antes, ainda durante a tarde de amanhã (a partir das 15:00), o Conselho de Segurança irá votar formalmente para confirmar que será Guterres o nome a apresentar à Assembleia Geral. O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, que detém actualmente a presidência do CS, em palavras reproduzidas pela Reuters, confirmou que a expectativa de Moscovo é a de que Guterres possa ser formalmente eleito, esta quinta-feira, secretário-geral por "aclamação". 

No entretanto, os outros candidatos deverão retirar as suas candidaturas, para que depois o presidente em exercício do CS envie uma carta ao presidente da Assembleia Geral propondo o nome de Guterres. A Assembleia Geral deverá reunir-se na próxima semana, esperando-se que também o aclame.

Apesar de o surgimento de Georgieva (promovida pela Alemanha, pelo Partido Popular Europeu e pelo Governo da Bulgária, que retirou o apoio à outra candidata búlgara) na corrida à liderança da ONU ter sido apontado como negativo para as pretensões de António Guterres, a verdade é que o percurso feito pelo português desde a apresentação formal da candidatura, em 29 de Fevereiro, foi decisivo. 

"As pessoas queriam unir-se em volta de uma pessoa que impressionou ao longo de todo o processo e impressionou a vários níveis de serviço", explicou, citada pela Lusa, a embaixadora norte-americana junto das Nações Unidas, Samantha Power, em declarações aos jornalistas.

No entender de Mónica Ferro, ex-secretária de Estado da Defesa, o surgimento de Georgieva levou a que "muitos perguntassem se era o fim do processo de transparência" a que a ONU se propôs. Contudo, os resultados da votação desta tarde mostram que "os russos não gostaram da forma como o processo [Georgieva ] foi gerido", explicou Mónica Ferro ao Negócios, salientando ainda "o papel determinante da diplomacia portuguesa" para as seis vitórias conseguidas por Guterres. 

Esta especialista em organizações internacionais lembra que "esta vitória [de Guterres] significa uma vitória dos valores e ideais sobre as teorias mais realistas", conseguindo assim a ONU "o objectivo de reabilitar as Nações Unidas aos olhos do mundo".

Também o primeiro-ministro português, António Costa, reagiu à votação que decorreu esta tarde em Nova Iorque (sede da ONU), afirmando que "à sexta votação já ninguém tem dúvidas que a pessoa melhor colocada para exercer funções de secretário-geral das Nações Unidas é o engenheiro António Guterres".


(Notícia actualizada pela última vez às 18:07)




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