Mundo Apesar de ameaças de Trump, China tem ferramentas para reagir

Apesar de ameaças de Trump, China tem ferramentas para reagir

A mais recente ameaça tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode prejudicar a economia da China, já em desaceleração, e forçar novas medidas de Pequim para evitar uma travagem mais profunda, dizem especialistas.
Apesar de ameaças de Trump, China tem ferramentas para reagir
Bloomberg
Bloomberg 04 de agosto de 2019 às 19:15

Economistas estimam que as possíveis tarifas de 10% sobre mais 300 mil milhões de dólares em mercadorias chinesas podem significar que o ritmo de crescimento testará o piso do intervalo do governo entre 6% e 6,5% este ano - ou até ser mais fraco.

 

No entanto, um arsenal pesado de opções monetárias e fiscais significa que tanto o governo como o Banco Popular da China têm espaço significativo para responder. As autoridades podem aumentar os gastos ou tentar implementar projetos de infraestrutura para compensar qualquer impacto no emprego. O PBOC também tem um kit de ferramentas de políticas que incluem mais cortes das taxas de juros e outras medidas para estimular os empréstimos.

 

"Se tais tarifas adicionais fossem impostas, elas pressionariam ainda mais o crescimento na China, mas provavelmente não o suficiente para que Pequim entrasse em pânico", disse Louis Kuijs, economista-chefe para Ásia da Oxford Economics, em Hong Kong.

 

Sinais contraditórios

A ameaça de novas tarifas vem no meio de sinais contraditórios sobre a economia de 14 biliões de dólares da China. Embora os indicadores de atividade do setor da indústria tenham mostrado sinais de melhoria em julho, outros dados apontam para um abrandamento contínuo. As exportações continuam fracas, a confiança empresarial deteriorou-se e a desaceleração dos preços das fábricas aproxima-se da deflação.

 

Na sexta-feira, Pequim prometeu responder se os EUA insistirem em aplicar mais tarifas às importações chinesas.

 

"Se os EUA implementarem tarifas adicionais, a China terá que tomar as contramedidas necessárias", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying, numa reunião em Pequim, sem dar mais detalhes.

 

Economistas do Standard Chartered estimam que as tarifas extraordinárias podem reduzir o crescimento anual do PIB da China em 0,3 pontos percentuais, mantendo o ritmo geral acima dos 6% com os estímulos do governo.

 

(Texto original: Trump Lands a Blow, But No Knockout, to China’s Slowing Economy)




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