Mundo As famílias mais ricas do mundo ficam 4 milhões mais ricas a cada hora

As famílias mais ricas do mundo ficam 4 milhões mais ricas a cada hora

As 25 dinastias mais ricas do planeta controlam 1,4 biliões de dólares.
Bloomberg 17 de agosto de 2019 às 10:00

Os números são impressionantes: 70 mil dólares por minuto, 4 milhões por hora, 100 milhões por dia.

 

Esta é a rapidez com que a fortuna dos Waltons, o clã por detrás da Walmart, tem crescido desde o ano passado, quando a Bloomberg fez o ranking das famílias mais ricas do mundo.

 

A este ritmo, as suas fortunas aumentaram cerca de 23 mil dólares desde que o leitor começou a ler esta peça.

 

Um funcionário novo da Walmart nos EUA teria feito seis cêntimos no mesmo período, a caminho do seu salário mínimo de 11 dólares por hora.

 

Mesmo nesta era de desigualdade salarial extrema, este contraste é gritante. Os herdeiros de Sam Walton, fundador da Walmart, estão a acumular riqueza a um ritmo sem precedentes – e não estão sozinhos.

 

A fortuna dos Walton aumentou em 39 mil milhões de dólares, para um total de 191 mil milhões de dólares, desde a publicação do ranking das famílias mais ricas do mundo, em junho de 2018.

 

Outras dinastias americanas estão próximas em termos de acumulação de fortuna. A família Mars, da indústria dos doces, aumentaram a sua fortuna em 37 mil milhões de dólares, elevado para 127 mil milhões de dólares. Os Kochs, donos da Koch Industries e conhecidos pelas atividades políticas e pelo contro, viram a sua riqueza aumentar 26 mil milhões de dólares para 125 mil milhões de dólares.

 

É algo que se sente um pouco por todo o mundo. 0,1% dos mais ricos da América controlam mais riqueza atualmente do que em qualquer outra altura desde 1929, mas os congéneres asiáticos e europeus também estão a aumentar as suas fortunas. Em todo o mundo, as 25 famílias mais ricas controlam atualmente quase 1,4 biliões de dólares, mais 24% do que no ano passado.

 

Para alguns críticos, tais dados provam que o capitalismo precisa de ser reparado. A desigualdade tornou-se uma questão política explosiva, de Paris a Seattle passando por Hong Kong. Mas como é que se consegue reduzir a diferença entre os ricos e os pobres?

 

Com o aumento da tensão, mesmo alguns herdeiros bilionários têm apoiado medidas como impostos sobre fortunas.

 

"Se não fizermos alguma coisa, o que estamos a fazer, apenas a acumular riqueza num país que parece estar a rebenta pelas costuras?", questionou Liesel Pritzker Simmons, cuja família se encontra nos 17.º lugar na lista da Bloomberg. "Não é a América onde queremos viver."

 

Há uma notável entrada este ano: a família real saudita. A fortuna desta casa está avaliada em 100 mil milhões de dólares, tendo por base os pagamentos estimados feitos aos membros da família real nos últimos 50 anos, através do Royal Diwan, o braço executivo do reino.

 

Estes são dados que pecam por defeito. Aliás, a gigante Saudi Aramco, o elemento-chave para a economia saudita, é a empresa mais rentável do mundo. O reino espera fazer uma oferta pública inicial da petrolífera com uma avaliação de dois biliões de dólares.

 

A acumulação de dólares pelas dinastias não é uma ciência exata. As fortunas baseadas em décadas e, algumas vezes, séculos de ativos e dividendos podem ofuscar a verdadeira dimensão do que é detido por uma família. A riqueza líquida dos Rothschilds ou dos Rockefellers, por exemplo, é demasiado difusa para ser avaliada. Clãs cuja fortuna não se consegue verificar atualmente também estão fora do ranking.

 

Mas entre as que se conseguem acompanhar, a maior parte está a beneficiar de taxas de juro ultra-baixas, reduções de impostos, desregulação e inovação. A Koch Industries, por exemplo, tem um braço de capital de risco. A última geração dos Waltons está a criar as suas próprias empresas.

 

Outros grandes vencedores incluem os donos da casa de moda Chanel e a família italiana Ferrero, cujas marcas incluem a Nutella e os Tic Tac. Na Índia, a fortuna da família Ambani aumentou sete mil milhões de dólares para 50 mil milhões.

 

Ao todo, as 25 famílias mais ricas do mundo têm uma fortuna superior em 250 mil milhões de dólares face ao ano passado.

 

Os ricos não estão, necessariamente, a tornar-se todos mais ricos. A família Qandt caiu oito posições depois de um ano fraco para a BMW, que enfrenta tensões comerciais e o abrandamento dos mercados mundiais, ao mesmo tempo que a fabricante de automóveis tem investido numa mudança disruptiva para veículos elétricos autónomos. As famílias Dassault, Duncan, Lee e Hearst saíram da lista.

 

E isto poderá representar o pico, com o presidente dos EUA, Donald Trump, a fazer escalar a guerra comercial com a China e as preocupações sobre uma recessão mundial a aumentarem.

 

"Pode ser muito desafiante manter uma fortuna durante muito tempo", afirmou Rebecca Gooch, da Campden Wealth, que trabalha com pessoas que herdam de fortunas. "Os negócios familiares podem passar do pico para uma queda, o portefólio de investimento da família pode não ser diversificada o suficiente ou pode haver questões relacionadas com a transmissão geracional", acrescentou.

(Texto original: The World’s Wealthiest Family Gets $4 Million Richer Every Hour)




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