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Bolsas mundiais afundam mais de 3% com crise da dívida e menor crescimento

Os apuros de algumas das maiores economias do mundo estão a deixar os investidores cada vez mais nervosos. Que, por isso, estão a afastar-se dos mercados accionistas e a virar as atenções para o ouro, franco suíço e iene.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 04 de Agosto de 2011 às 17:48
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As bolsas estão a cair mais de 3% um pouco por todo o mundo, fortemente penalizadas pelos receios de um enfraquecimento da economia norte-americana e de um contágio da crise da dívida na Europa.

A subida dos juros da dívida dos países periféricos do Euro e dos EUA, bem como as preocupações em torno de fortes valorizações cambiais, estão a contribuir para o pessimismo dos mercados.

Para os investidores, também há oportunidades de compra – das acções que ficam a preços de saldo -, não apenas uma tendência de venda. Em declarações à CNBC, Jeffrey Saut, que é o principal estratega da gestora de activos Raymond James, disse que esta fase nos mercados o faz recordar o célebre investidor Jimmy Rogers, “que disse que a sua maneira de ganhar dinheiro era ‘vender na histeria e comprar no pânico’”.

Entre as acentuadas quedas de hoje, destaque para o índice norte-americano Standard & Poor’s 500, que cai 3% para 1.222,44 pontos, o que constitui uma perda de 10% desde o pico de 29 de Abril e o valor mais baixo em nove meses. Além disso, trata-se da nona queda consecutiva do S&P500 – o que corresponde ao pior ciclo de quedas desde Março de 2009.

O índice mundial MSCI All-Country desce 2,9%, enquanto o europeu Stoxx 600 recuou 3,42% para 243,33 pontos.

Ainda em Wall Street, o tecnológico Nasdaq regista uma depreciação de 3,12% para 2.608,97 pontos e o Dow Jones desvaloriza 2,55% para se fixar nos 11.592,57 pontos.

Os receios em torno da economia global – crescimento abaixo do esperado, preocupações com potenciais incumprimentos soberanos, sobrevalorização de algumas moedas, níveis dos juros das dívidas públicas, etc. – têm estado a reflectir-se nas bolsas, bem como nas moedas e nas matérias-primas (o petróleo a reagir em queda, dada a probabilidade de um menor consumo; e o ouro a disparar para máximos históricos consecutivos, atendendo ao seu estatuto de valor-refúgio). Mas hoje, dia em que BCE e Banco de Inglaterra mantiveram as taxas de juro, os mercados accionistas desencadearam um movimento colectivo de queda.

O facto de os EUA terem chegado a acordo para um aumento do tecto da dívida do país não descansou os mercados e os juros das Obrigações do Tesouro norte-americanas atingiram hoje um máximo histórico devido aos receios de que os EUA voltem a mergulhar numa recessão.

Europa também derrapa

Na Europa, a tendência foi igual à dos EUA, com os principais índices a afundar mais de 3%, como foi o caso do CAC-40 (Paris), IBEX-35 (Madrid), FTSE (Londres), DAX (Frankfurt) e AEX (Amesterdão). Em Milão, o MIB (Milão) perdeu mais de 5%. Com uma queda inferior esteve apenas o grego, que recuou 1,5%.

A generalidade das praças do Velho Continente caiu assim para mínimos de um ano.

Dadas as preocupações perante o crescimento das principais economias mundiais, os investidores estão a virar-se para activos que consideram mais seguros, como é o caso do ouro. Mas não só. A dívida pública com “rating” máximo, o franco suíço e o iene são activos que os investidores também consideram bastante atractivos. De tal forma que tanto o banco central do Japão como da Suíça já tiveram de intervir para tentar conter a escalada das suas moedas.

Neste clima de nervosismo generalizado, começam a intensificar-se os rumores de que a Reserva Federal norte-americana poderá lançar uma terceira ronda de estímulos à economia. Enquanto isso, as bolsas continuam fragilizadas, à espera de sinais concretos de crescimento sustentado e de alívio das tensões mercado da dívida soberana de muitos países actualmente em apuros.

Na Ásia, o fecho de hoje foi positivo, a reflectir a subida de Wall Street no encerramento da sessão de quarta-feira. Mas amanhã poderão regressar às quedas, num efeito contágio previsível.

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