Mundo Bolsonaro falha maioria absoluta por um triz mas entra de rompante no Congresso

Bolsonaro falha maioria absoluta por um triz mas entra de rompante no Congresso

Com quase 50 milhões de votos, o candidato da direita radical falhou por pouco o limiar que lhe garantiria a eleição logo à primeira volta, mas o partido de Bolsonaro elege 51 deputados federais e passa a dominar o Congresso brasileiro a par do PT.
Bolsonaro falha maioria absoluta por um triz mas entra de rompante no Congresso
Reuters
David Santiago 08 de outubro de 2018 às 10:00

Foi por um triz que Jair Bolsonaro (PSL, extrema-direita) não foi já eleito presidente do Brasil. Com apenas 0,01% das secções de voto por fechar, o candidato da direita radical obteve 46,03%, ficando a menos de quatro pontos percentuais da maioria absoluta que permitiria a Bolsonaro ser eleito à primeira volta.


Já o substituto de Lula da Silva como candidato do PT, Fernando Haddad, alcançou 29,28%. Assim, Bolsonaro e Haddad disputam a segunda volta das presidenciais brasileiras no próximo dia 28 de Outubro. O candidato do centro-esquerda, Ciro Gomes (PDT), não foi além dos 12,47% e apesar de ter mostrado capacidade eleitoral ficou muito aquém da possibilidade de discutir o segundo turno.

Mas se Bolsonaro falhou por pouco a maioria absoluta, o seu partido (PSL) entrou em força no Congresso brasileiro. O PSL elegeu 51 deputados federais depois de há quatro anos ter elegido somente um parlamentar (entretanto, em Março passado, o PSL engrossou a sua representação para oito deputados após transferências parlamentares).

Em sentido oposto, o PT cai de 70 assentos parlamentares eleitos em 2014 para 57 (embora actualmente o partido contasse com apenas 61 deputados).

Estes resultados confirmam uma espécie de renovação política, com o PSL de Bolsonaro a substituir o PSDB no bipartidarismo até aqui formado com o PT. O PSDB ficou-se pelos 4,76%, o pior resultado de sempre do partido. Confirma-se também uma câmara dos deputados altamente fragmentada, com 30 partidos a assegurarem representação parlamentar.

 

Esta eleição apontou ainda o caminho da saída a conhecidas figuras da política brasileira, como são exemplo a não eleição da ex-presidente Dilma Roussef (PT) e do actual líder desta câmara, Eunício Oliveira (MDB, o partido do ainda presidente Michel Temer).

 

A votação para o Senado (câmara alta) confirma a ideia de renovação com apenas oito dos 54 lugares senadores a serem reeleitos. Será o Senado mais fragmentado da democracia brasileira, com 21 partidos representados nesta câmara alta.

 

Segunda volta entre os mais rejeitados

"O tapa na cara da política tradicional" dado pelas urnas, como titula o Folha de São Paulo, deu continuidade ao processo iniciado ainda em 2013 quando multidões se juntaram em protestos nas ruas contra os vícios de um regime enfraquecido pelo fenómeno da corrupção destapado pela operação Lava Jato.

No entanto, os dois candidatos que restam à presidência do Brasil além de terem sido os mais votados, são também aqueles que apresentam maiores níveis de rejeição. Se Bolsonaro congrega os eleitores anti-PT descontentes com a corrupção e a violência nas ruas, Haddad beneficiou sobretudo do facto de o partido do popular e condenado Lula ter mantido forte apoio no Nordeste do país.

O grande desafio de Haddad passa agora por também ele conseguir congregar os votos dos eleitores moderados, afirmando-se como o candidato das forças democráticas. E Haddad, na reacção ao resultado, disse estar já a trabalhar nesse sentido. "[Quero] um governo para todos", disse avisando que "essa eleição põe muita coisa em risco".

Pelo seu lado, Bolsonaro vai prosseguir a sua afirmação enquanto político anti-sistema como o demonstraram as declarações de vitória. O candidato reaccionário deixou mesmo no ar a ideia de que as eleições não terão decorrido em total normalidade, insinuando que o voto electrónico poderá ter prejudicado: "se tivéssemos confiança no voto electrónico já teríamos o nome do futuro presidente da República".

No entanto, o candidato da direita radical parece ter ensaiado um novo discurso numa tentativa de se aproximar de eleitores mais moderados, afirmando que "temos de unir o nosso povo, unir os cacos que nos fez o governo da esquerda no passado". 




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