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Brasil: Temer mais perto de perder mandato

Denúncias do dono da JBS, uma das maiores empresas mundiais de carne e derivados, comprometem o actual Presidente e levaram a polícia a fazer buscas em casa de Aécio Neves. Líder do PSDB perdeu mandato de senador e foi afastado da presidência do partido.

REUTERS/Ueslei Marcelino
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 18 de Maio de 2017 às 13:09
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A polícia federal brasileira está nesta quinta-feira, 18 de Maio, a fazer buscas no Rio de Janeiro nos apartamentos do senador Aécio Neves, líder do PSDB e candidato à presidência do país derrotado por Dilma Rousseff em 2014.

A sua irmã, Andréa Neves, e um primo, Frederico Pacheco de Medeiros, foram detidos, tal como um Procurador da República, Ângelo Goulart Villela; há um mandado de busca e apreensão na casa do deputado Rodrigo Rocha Loures que teria sido indicado pelo presidente Michel Temer para receber subornos; a oposição reclama a demissão imediata e juristas acreditam que o actual presidente dificilmente terá condições para se manter no cargo até 2018. Entretanto, o juiz relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que Aécio Neves e Rocha Loures sejam imediatamente afastados de seus mandatos parlamentares. 

Estes são os principais desenvolvimentos depois de ter vindo a público, através de o jornal O Globo, o teor das denúncias feitas à Procuradoria-Geral da República por Joesley Batista, um dos donos da JBS, maior grupo privado brasileiro e uma das maiores empresas mundiais de carne e derivados.

Segundo o jornal, Joesley Batista entregou à PGR uma gravação de Aécio Neves na qual o líder do PSDB lhe pedia dois milhões de reais para pagar a sua defesa na Lava Jato. A gravação faz parte do material da delação premiada que Joesley e seu irmão, Wesley Batista, fecharam com a PGR na operação Lava Jato, diz o jornal. 

Ainda de acordo com O Globo, Joesley Batista entregou uma outra gravação feita em 7 de Março deste ano, na qual o presidente Michel Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures para resolver assuntos da J&F, a holding que controla a JBS, no Conselho Administrativo de Defesa Económica. Rocha Loures já foi chefe de Relações Institucionais da Presidência, quando Temer era vice-presidente e assessor especial da presidência após o impeachment de Dilma Rousseff.

"Tem que manter isso, viu?"

Nessa gravação, cuja transcrição parcial é igualmente citada pelo jornal brasileiro, Temer teria ainda concordado com que o empresário comprasse o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (membro do PMDB, partido de Temer), preso desde Setembro de 2016 em resultado da Operação Lava Jato, que está a ser coordenada a partir de Curitiba (sul do Brasil) pelo juiz Sérgio Moro.

"Tem que manter isso, viu?", teria dito o Presidente, depois de ser informado por Batista de que estaria a pagar uma "mesada" a Cunha e ao lobista Lúcio Bolonha Funaro para que não aderissem à delação premiada – ou seja, para que não concordassem fornecer provas à justiça a troco da promessa de redução de pena.

Numa nota divulgada ainda ontem à noite, o Palácio do Planalto confirma que o presidente Michel Temer se reuniu com o empresário Joesley Batista, mas que "jamais" tentou evitar a delação de Eduardo Cunha

"O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objectivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar", refere o comunicado de imprensa.


"Se a gravação comprovar que o presidente Michel Temer deu aval a Joesley Batista para comprar o silêncio de Eduardo Cunha, ele pode até sair da Presidência directo para a cadeia", escreve O Globo, citando juristas. Na opinião de especialistas, se houver prova válida de obstrução à justiça, a prisão de Temer teria apenas de ser aprovada pelo plenário do STF, como aconteceu com o ex-senador Decídio do Amaral

O jornal lembra ainda que os donos da JBS, próximos de Lula da Silva, terão dado informações sobre os acordos de crédito bonificado que receberam do BNDES e que obrigaram o banco público de desenvolvimento a registar perdas de 700 milhões de reais. Um dos negócios investigados pela Polícia Federal é a compra do grupo Bertin pela JBS, alegadamente com dinheiro do BNDES, o que seria crime de desvio de finalidade.


(notícia actualizada às 15h30)
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