Mundo Esta terça-feira é dia D para Dilma, que vê ameaça de destituição a crescer

Esta terça-feira é dia D para Dilma, que vê ameaça de destituição a crescer

O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) pode deixar a coligação que suporta o Governo de Dilma Rousseff, avança a Reuters, uma saída que aumenta a probabilidade de a Presidente brasileira ser destituída.
Esta terça-feira é dia D para Dilma, que vê ameaça de destituição a crescer
Reuters
Inês F. Alves 28 de março de 2016 às 18:16

A decisão de abandonar a coligação de Governo deverá ser tomada pelo PMDB esta terça-feira no encontro nacional da formação política, escreve a Reuters. Actualmente, o partido está representado no Governo em sete ministérios e através do vice-presidente Michel Temer (na foto, com Dilma), actual líder do PMDB.

Uma ruptura formal parece inevitável e aumenta o isolamento de Dilma, alvo de um processo de destituição ou "impeachment". Uma eventual separação liberta os membros do PMBD para votar a favor da impugnação da chefe de Estado, dando continuidade ao processo de impugnação, sendo aprovado no Parlamento e seguindo então para o Senado.

Neste cenário, se garantida uma maioria no Senado, Dilma seria temporariamente suspensa e substituída no cargo pelo vice-presidente Michel Temer. Ao Senado caberá depois decidir se a presidente deve ser afastada permanentemente.

Temer não só se manifestou capaz de assumir as rédeas do país, como, segundo a imprensa, a sua equipa está já a delinear um plano para as primeiras semanas como líder do Governo brasileiro.

"Na terça-feira vamos sair deste governo. O voto pela independência vai ganhar", garantiu o senador do PMDB Valdir Raupp, à Reuters, acrescentando que, assim sendo, os ministros do PMDB no Governo teriam de resignar ao cargo ou sair do partido.

A estimativa é que 70% a 80% dos 119 membros com direito de voto escolham terminar a aliança entre o PMDB e o Partido dos Trabalhadores de Dilma Rousseff. Um oficial do partido adiantou à agência que 75% destes representantes chegaram mesmo a comprometer-se a fazê-lo.

"Os eventos mais recentes tornam muito difícil [ao PMDB] continuar a apoiar o Partido dos Trabalhadores. O sentimento geral no partido e no país é de que devemos abandonar [a coligação]", disse Jorge Picciani, líder do PMDB no Rio de Janeiro.

Escreve o Estadão que Temer está a tentar acabar com os focos de resistência a uma separação, tendo-se encontrado esta segunda-feira com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, um dos principais defensores de uma permanência do PMDB na coligação.

Segundo o jornal, é importante para o vice-presidente mostrar que o partido está unido à sua volta e em torno de um eventual Governo por si liderado. Entretanto, Temer cancelou a deslocação a Portugal. O responsável deveria marcar presença no Seminário Luso-Brasileiro de Direito, que reuniria esta semana vários opositores de Dilma Rousseff em Lisboa.

Mas não é só o vice-presidente brasileiro a procurar apoios. Dilma convocou esta segunda-feira para uma reunião os ministros do PMDB que integram o Governo, num último esforço para evitar a separação.

A saída do PMDB pode incentivar outros partidos mais pequenos a sair da coligação, num efeito dominó que poderá minar a capacidade de Dilma de garantir um terço dos votos do Congresso (171 de 513) necessários para bloquear o seu processo de "impeachment", que deverá ser votado em Abril, explica a Reuters.

"Não queremos ser os últimos a abandonar o barco", disse Ana Amelia, senadora do Partido Progressista, citada pela agência.

Caso não consiga bloquear o processo de impugnação, este segue para o Senado, onde Dilma perdeu muitos apoios, diz Valdir Raupp. Neste cenário, a presidente seria suspensa por seis meses e Temer assumiria funções de chefe de Estado.

O processo de "impeachment" de Dilma - que rejeita as acusações de ter manipulado as contas do Estado para ajudar à sua reeleição em 2014 – tem lugar numa altura em que o Brasil enfrenta uma grave recessão e está a braços com um escândalo de corrupção sem precedentes, o caso Lava Jato, e que envolve também figuras de Estado que lhe são próximas, como o ex-presidente Lula da Silva.

Aliás, a tentativa de Dilma indigitar Lula como ministro da Casa Civil para lhe garantir "foro privilegiado", escudando-o das acções do juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso Lava Jato, foi visto por alguns como uma tentativa desesperada que prejudicou ainda mais a imagem da dirigente brasileira.

O processo de indigitação de Lula está suspenso, cabendo à justiça brasileira, nomeadamente ao Supremo Tribuna Federal, decidir se este pode ou não assumir o cargo. Caso seja autorizado, Lula pode usufruir do estatuto de "foro privilegiado", o que significa que só o Supremo Tribunal o pode vir a colocar no banco dos réus.




Notícias Relacionadas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI