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China quer construir laboratório a 3.000 metros abaixo de água para explorar minerais... e não só

É para as profundezas do mar que a China está a direccionar os seus novos esforços na "caça" aos minerais. Mas esta "estação espacial" oceânica também pode vai servir objectivos militares.

Bloomberg
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 09 de Junho de 2016 às 19:15
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A China está a acelerar esforços para conceber e construir uma plataforma tripulada, em águas profundas. A ideia, conta a Bloomberg, é que esta ajude na procura de minerais no Mar do Sul da China, mas também servirá propósitos militares nestas águas disputadas por vários países.

 

A referida "estação espacial" oceânica deverá ficar a 3.000 metros abaixo de água, de acordo com o mais recente relato do Ministério chinês da Ciência, refere a agência noticiosa. O projecto, sublinhe-se, foi mencionado no actual plano económico quinquenal do país, divulgado em Março, e posicionado em número dois numa lista das 100 prioridades em matéria de ciências e tecnologias.

 

"Ter este tipo de estação habitada nunca foi tentado a esta profundidade, mas é certamente possível", comentou Bryan Clark, um conselheiro sénior do Center for Strategic and Budgetary Assessments, em Washington. "Os submersíveis tripulados já descem até estas profundidades há quase 50 anos. O desafio será operá-lo durante meses a fio", acrescentou em declarações à Bloomberg.

 

Por enquanto ainda não existem muitos pormenores do conhecimento público, como o custo estimado e o local, nas águas profundas, onde ficará estacionado. No entanto, o presidente chinês, Xi Jinping, tem-se focalizado no Mar do Sul da China, uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo. E reclama o direito a mais de 80% dessas águas e a criação de ilhas artificiais – o que levou a um intensificar de tensões com países como o Vietname e as Filipinas.

 

"O mar profundo contém tesouros ainda por descobrir e, para os obter, temos de controlar tecnologias-chave de acesso ao fundo do mar", declarou no mês passado o presidente chinês.

 

Mas não é só, salienta a Bloomberg. É que apesar de o "apetite" da China por recursos naturais ser a força motriz deste projecto, a recente apresentação por parte do Ministério da Ciência destacou que esta plataforma será amovível e usada também para fins militares.

 

A China, dizem os analistas do IHS – grupo britânico de comunicação especializado em temas militares, de transportes e aeroespaciais – propôs mesmo uma rede de sensores denominada ‘Underwater Great Wall Project’ que visa ajudar a detectar submarinos russos e norte-americanos.

 

No entanto, Xu Liping, investigador na Academia de Ciências Sociais da China, garante que o projecto será "sobretudo para uso civil", se bem que "não se possa excluir" que venha a ter algumas funções militares. 

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