Mundo Crise política arrasta perspectivas para a economia brasileira

Crise política arrasta perspectivas para a economia brasileira

Os economistas brasileiros consultados pelo Banco do Brasil reviram as estimativas de crescimento da economia brasileira em baixa para 2016 e 2017, numa altura em que se agrava a crise política do país.
Crise política arrasta perspectivas para a economia brasileira
Reuters
Inês F. Alves 21 de março de 2016 às 16:39

Os economistas brasileiros diminuíram as suas estimativas de crescimento para a economia, prevendo uma contracção de 3,6% para este ano e um avanço de 0,44% em 2017. A inflação, pespectivam, deverá situar-se nos 7,43% em 2016.

O sentimento negativo tem vindo a agravar-se ao mesmo tempo que a crise política no Brasil se aprofunda. Há quatro semanas, a contracção estimada para este ano era de 3,40% e a perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2017 era de 0,50%.

No que concerne a inflação, os economistas mantiveram a estimativa para 2017 inalterada nos 6% - abaixo do tecto de 6,5% do banco central -, mas reduziram-na de 7,62% para 7,43% em 2016.

Mesmo com uma inflação acima do objectivo, é espectável que o Banco Central mantenha a taxa de juro de referência nos 14,25%, a mais alta desde 2006, escreve a Bloomberg.

Os dados integram o relatório semanal Focus, divulgado pelo Banco do Brasil.

"Melhorias na situação económica vão beneficiar a situação política, mas é uma estrada de dois sentidos: uma melhoria da situação política vai também ajudar à recuperação da economia", salientou o ministro das Finanças brasileiro, Nelson Barbosa, citado pela Bloomberg. "A incerteza política actual adia a recuperação económica", acrescentou.

Segundo a agência, os níveis de confiança dos investidores mantém-se em mínimos históricos e o mercado criou expectativas em torno de uma mudança de governo, o que impulsionou as bolsas e a moeda brasileira, o real.

Um real fraco tem ajudado o Brasil a reduzir o défice corrente, portanto, salienta Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs, o que a maior economia da América Latina menos precisa neste momento é de uma moeda sobrevalorizada.

Na última semana o Brasil foi manchete um pouco por todo o mundo, com o caso "Lava Jato". Dilma Rousseff, Lula da Silva e Sérgio Moro foram os protagonistas.

A 16 de Março, a imprensa brasileira avançava que a Procuradoria-geral da República (PGR), dirigida por Rodrigo Janot, decidiu pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura formal de uma nova linha de investigação da conduta Lula da Silva.

A 17 de Março foi constituída uma comissão especial para analisar a destituição da Presidente Dilma Rousseff, no mesmo dia em que Lula da Silva tomou posse como ministro da Casa Civil para se proteger das investigações em curso. A bolsa brasileira disparou.

No entanto, cerca de uma hora depois do acto oficial, a posse foi suspensa por uma decisão judicial, depois indeferida pelo juiz desembargador Cândido Ribeiro, sendo que esta decisão não concedeu a Lula a possibilidade de avançar com os trabalhos no Governo.

Como resultado, os brasileiros saíram à rua, uns favor de Dilma e Lula, outros contra. Estes últimos exigem a reformulação do governo e elogiam Sérgio Moro, juiz que lidera o processo Lava Jato.

Entretanto, esta segunda-feira, ficou a saber-se que Lula começará a trabalhar como "ministro informal". Paralelamente, em Portugal, foi detido Raul Schmidt, também no âmbito do caso Lava Jato.




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