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Dilma acusa oposição da "maior fraude política e jurídica da história do país"

A Folha de S. Paulo admite que os votos favoráveis à destituição poderão já não estar garantidos. Nesta contagem decrescente para a votação no Congresso Nacional, Dilma Rousseff faz declaração na internet e acusa de golpe de estado e farsa quem a quer tirar do poder.

Dilma Rousseff: Com a economia brasileira a marcar passo e a oposição a exigir a sua saída da Presidência por causa do envolvimento do PT no caso 'Lava Jato', Dilma esteve sob pressão.
Negócios 16 de Abril de 2016 às 11:16
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Sob ameaça judicial de suspensão de uma comunicação na televisão nacional, Dilma Rousseff recusou, cancelou a declaração ao país dessa forma, mas optou por colocar a sua intervenção na internet, no site do Partido dos Trabalhadores (PT). 

E na comunicação, em que volta a referir-se ao processo de destituição ("impeachment") como o golpe de Estado, a Presidente do Brasil fala pouco mais de seis minutos e para tentar convencer os brasileiros que esse processo vai contra as regras democráticas. 

"Não há razão para o pedido de impeachment, acusam-me sem base legal. Não cometi crime de responsabilidade. Não há contra mim qualquer denúncia de corrupção ou desvio de dinheiro público, jamais impedi investigação sobre quem quer que fosse. O meu nome não está em qualquer lista de propina, tão-pouco sou suspeita de qualquer delito contra o bem comum", declara Dilma Rousseff, continuando neste tom: a denúncia no Congresso Nnacional - que vota este domingo a continuação do processo - "não passa de uma fraude, a maior fraude política e jurídica da história do país. Sem ela o impeachment sequer seria votado. O Brasil e a democracia não merecem tamanha farsa".

Faz um pedido directo aos brasileiros para que não se deixem enganar, já que quem está por detrás do processo de destituição, diz, chamando-lhes golpistas e usurpadores do poder, querem, acrescenta, cortar direitos, ameaçam a educação pública, querem abrir mão da soberania nacional, entregar o pré-sal a multinacionais estrangeiras. "O que move os golpistas são os nossos acertos. O projecto de desenvolvimento e inclusão social, que temos vindo trabalhando todos os dias nos últimos 13 anos".

Os "golpistas" querem, no entender da Presidente brasileira, "violentar a democracia, rasgar a constituição, espalhando intolerância, ódio e violência entre nós, humilhar o Brasil perante a comunidade internacional". Para Dilma a defesa do não ao "impeachment" "não se trata de concordar com o Governo, mas combater um golpe de estado, uma violação constitucional que poderá mergulhar o Brasil em doloroso processo, de instabilidade e insegurança". Para a Presidente, nenhum governo será legítimo senão for escolhido pelo voto popular. Sem esse voto e escolha popular, "o governo será sempre uma tirania dos mais fortes, dos mais espertos, dos mais ricos e corruptos" e "os traidores da democracia" ficarão "com a palavra golpe sempre gravada na testa".

Dilma assume tencionar "defender e honrar até ao último dia" o seu mandato, já que se trata de respeitar as urnas, prometendo haver condições para o Brasil sair da crise económica. Agradece as manifestações de apoio e apela aos brasileiros. "Somente o respeito pela ordem democrática pode assegurar a reunificação nacional". 



Contagem de espingardas

Por estes dias, tanto oposição como Governo têm tentado recolher apoiantes para cada um dos lados. São necessários 342 votos para que o processo de impedimento siga para o Senado. E se num levantamento da Folha de S. Paulo, divulgado sexta-feira durante o dia, os adeptos do impedimento recolhiam precisamente 342 votos, ao final do dia o mesmo jornal noticiava que havia duas baixas desse lado, pelo que a balança pendia agora para o lado de Dilma Rousseff. Neste momento, segundo o levantamento da Folha de S. Paulo, o "impeachment" não consegue os votos necessários para seguir para o Senado. 

Mas só no domingo, 17 de Abril, haverá votação. Se a votação for favorável ao "impeachment", o processo seguirá segunda-feira, 18 de Abril, para o Senado, onde será lido no dia seguinte. Aí uma comissão de 21 titulares e 21 suplentes será formada para decidir, em 10 dias, a admissibilidade do processo. O parecer, explicam os jornais brasileiros, é votado no plenário e será aprovado por maioria simples (41 dos 81 senadores). Se isso acontecer Dilma Rousseff será afastada por 180 dias, e Michel Temer assume a presidência, período durante o qual o Senado analisa o processo e Dilma apresenta a sua defesa, havendo, depois, um julgamento final. Mas aqui já serão precisos votos de 54 senadores para que Dilma perca em definitivo o mandato.


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